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Volta às aulas. É a hora mesmo?

Depois de muitos meses a volta às aulas presenciais está perto de acontecer. Tudo caminha para ser em setembro, mas essa estimativa depende dos resultados das estatísticas da contaminação da Covid-19. Pelo menos no Estado de São Paulo os números têm apresentado uma leve queda, mas fica a pergunta de um milhão de dólares: é seguro para alunos, professores, funcionários, pais, mães e responsáveis que isso aconteça? De verdade ninguém tem um sim ou não, algo que seria uma resposta simples. Eu, professor Chiarella, e todos os outros moradores estamos preocupados especialmente com a situação da saúde de Santos, sobre a qual mais comento. Além da dificuldade do desconhecimento científico de como o vírus agirá no futuro, ainda temos o problema de não se poder tomar uma decisão única para todo o Estado de São Paulo, muito menos para o Brasil, pois cada cidade e Estado têm suas particularidades e defendo que os municípios tenham autonomia para definir se as crianças e os jovens voltam às escolas presencialmente ou continuam com as aulas on line. Prefeitos devem decidir isso, pois conhecem as suas cidades.

Isso sem falar nas grandes diferenças entre a escola pública e a particular. É impossível comparar as duas. A particular tem um dono definido, um empresário que tem mais zelo, mais cuidado com seus alunos, existe um investimento maior nos aparatos de higienização e de isolamento social. A rede particular tem ouvido pais e professores para confirmar, ou não, a retomada das aulas presenciais. Enquanto isso, a rede pública, e vou falar especificamente da municipal daqui de Santos, deve se preparar para caminhar nesse mesmo sentido. Os donos das escolas públicas somos todos nós, moradores de Santos, mas ao mesmo tempo não temos ingerência direta na forma como elas são administradas e nem em decisões importantes. Assim, fica aqui uma orientação ao prefeito Paulo Barbosa, que enfrenta dificuldades e tem responsabilidades na tomada das decisões.

Como não existe uma solução pronta, algo padrão, o ideal é que busquemos equilíbrio com confiança. Entendo que devemos caminhar para uma mescla entre aulas presenciais e aulas remotas. Para conseguirmos isso precisaremos ver quem voltará realmente às escolas quando for reaberto o ensino presencial. É necessário termos um padrão numérico – quantos alunos voltarão e quantos preferirão continuar em casa até o final do ano letivo – antes de decidir que rumo tomar e é aí que, entendo, a Prefeitura de Santos teria de ouvir pais e professores para ver se está no caminho certo.

A solução seria fecharmos o ano de 2020 já pensando no que fazer em 2021, no ano que, esperamos, tudo volte à normalidade, ainda que uma nova normalidade, seja lá o que isso significará, pois na realidade ninguém sabe com certeza. Para pensarmos no ano que vem é preciso ter visão e formular um projeto diagnóstico para entendermos o que os alunos aprenderam nesta temporada e aí estabelecer um conteúdo pedagógico para 2021. Não estou me prendendo somente ao calendário escolar, mas quero saber realmente o que as crianças e os jovens assimilaram nessa nova experiência on line e ver como eles se saíram dessa pandemia. É necessário fazer uma verificação do conteúdo assimilado para saber qual o caminho a seguir, para onde caminhar e, aí sim, suprir eventuais diferenças. Esse é o grande desafio pedagógico até mesmo do Fundamental I, onde está a base do ensino.

Também tenho de incluir um programa de flexibilização para corrigir eventuais falhas no aprendizado. Esses dados dariam um mapa do que aconteceu com os alunos neste ano de 2020. Esse seria, caso fizesse algo, o papel do prefeito de Santos, que deveria suprir as necessidades reais dos professores, diretores, coordenadores e dos alunos e não resolver de maneira rasa ao simplesmente aprová-los para o ano seguinte. Entendo que neste ano o Ensino passou a ter duas ferramentas básicas: aulas presenciais e aulas remotas. Esse é um caminho sem volta! Estamos em plena revolução educacional e esse é o nosso grande desafio em 2021.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.

Volta às aulas. É a hora mesmo?