O ser humano foi criado por Deus para viver em sociedade, ou seja, compartilhando espaços coletivos, obedecendo leis ou normas e valores, respeitando e cooperando com os outros. Na teoria essa rasa definição de sociedade funciona muito bem, mas é preciso colocar essas regras, que não estão todas escritas com clareza, em prática. Homens e mulheres estão cada vez mais individualistas e, como se diz no dia a dia, só cuidando do próprio nariz. Não deveria ser assim. Como mostra o título deste texto, todos deveriam cuidar de todos para que a convivência se tornasse harmoniosa, saudável. Imaginem no frenético trânsito de todos os dias se os motoristas se respeitassem devidamente como tudo seria mais calmo, mais civilizado. Este é só um pequeno exemplo.
Nas escolas, desde o Jardim da Infância, mas especialmente no Fundamental I e II e no Ensino Médio, além dos educadores se preocuparem com os filhos – a obrigação deles é ensinar e colaborar na educação, que é responsabilidade da família – os pais e responsáveis deveriam se envolver mais nos estudos deles desde as fases iniciais. Certo que eles têm de sustentar a casa, alimentar seus ocupantes, pagar um incontável número de boletos, mas também recomenda-se dedicar mais tempo para os seus filhos, aqueles pequenos que estão sob seus cuidados. Cuidados não somente alimentares, como também de atenção, algo que eles muitas vezes nem falam, mas sentem demais a ausência deles nas questões diárias. Coisas simples como perguntar como foi o dia deles. Bater um papinho sobre a escola, classe, amigos. Eles precisam de cuidados completos, dentro de casa e, também, fora das quatro paredes do lar.
Pais, avós, tios, enfim, aqueles que cuidam das crianças, dos adolescentes e dos jovens têm de dar a atenção também para o que acontece na sala de aula. Não basta o professor repassar conhecimento para eles. Nessa e em outras faixas etárias o ser humano carece de saber que tem mais alguém preocupado com ele, cuidando dele. A participação e a presença – por mais complicado que seja deixar um pouco o trabalho de lado – de pai, mãe, de quem cuida, nas unidades de ensino vai mostrar o que os pequenos enfrentam, como estão nas aulas e não somente nas notas. Esse simples, mas essencial, cuidado deixa claro para eles que não basta só ir bem nas matérias escolares. Com a presença ali, ficam sabendo, de maneira clara e objetiva, que seus pais estão interessados diretamente na vida deles. Essa atenção também deve ser estendida à internet, que pode ser tanto uma excelente ferramenta quanto um grande problema nas cabeças em formação. Como não deixá-los sem o celular? Difícil, sem dúvida, mas os cuidados não se limitam a tirar o aparelho e sim a acompanhar o que eles veem e leem, quem acompanham nas redes sociais, quem fala com eles nos vários meios. Existem aplicativos que mostram o que baixaram e que tipo de site acessam. Isso não invade a privacidade; cuida! Eles precisam, sim, de cuidado.
Ditadura dos pais? Não! Simples atenção e amor com a vida de um ser que está se formando física, mental e espiritualmente. Se nem os adultos sabem tudo – muito longe disso -, imagine uma criança, um adolescente ou um jovem? Pai, mãe, avô, avó, tio, tia, qualquer que seja o parentesco, ou não, aqueles que cuidam, devem fazer o máximo possível para acompanhá-los todo o tempo. Aproveite o tempo ao lado deles, pois esse tempo nunca mais voltará e sentirá saudade. Todos cuidando de todos pode ser um bom caminho para que assim o ser humano viva mais harmoniosamente, cuidando de todos e sendo cuidado por todos.
José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.