Existem algumas maneiras de se levar a vida. Uns encaram essa nossa curta passagem com leveza, enquanto outros veem de maneira mais sisuda, mais pesada, como se fosse um grande fardo carregado nas costas durante as 24 horas do dia e os 12 meses do ano. Falecido em 2014, o multifacetado escritor e teólogo Rubem Alves entre suas grandes obras deixou um texto que tem o título: Tênis x Frescobol. Na analogia do cotidiano, uma de suas especialidades, o autor reflete sobre o esporte tênis e a antiga diversão frescobol. Para aqueles que desconhecem, o frescobol é uma atividade bastante praticada especialmente em cidades praianas.
Na vida estudantil os professores têm a função de preparar seus alunos para o futuro que está logo à frente. Para isso as crianças, os adolescentes e os jovens necessitam saber o que os espera na dura vida profissional. Enquanto Rubem Alves cita tênis e frescobol como antagônicos, pois o primeiro objetiva focar nas partes mais fracas do adversário e superá-lo, o frescobol é mais lúdico, e os dois que participam do jogo querem manter a bolinha o máximo de tempo possível em jogo e em disputa. Na preparação para o mercado de trabalho esse grupo tem de se adaptar a dias cada vez mais difíceis pela frente, eles têm de entender que é preciso mesclar essas duas modalidades esportivas no dia a dia da busca por um lugar ao sol. Para se alcançar os objetivos muitas vezes é necessário superar outras pessoas – adversários na vida profissional – que concorrem pela mesma vaga.
Os mestres e os educadores precisam formar alunos que também sejam atletas de frescobol – disputar com leveza, mas com determinação sem igual -, sempre entendendo a limitação de cada um. Mesmo no ensino coletivo, na sala de aula, o professor detecta aqueles que podem ser mais exigidos do que os outros. Ou seja, forçar alguns mais e outros menos, claro que dependendo de competências e habilidades físicas e emocionais. Esse estímulo é primordial, pois além de repartir com eles o objetivo coletivo, importante em todas as matérias, é necessário se incutir na cabeça das crianças, dos adolescentes e dos jovens que eles precisam se esforçar ao máximo em busca de objetivos de vida melhores. Os alunos têm de entender que se a educação transforma vidas, uma educação bem feita e com dedicação pode abrir mais portas no futuro. Mesclar exigências do tênis e do frescobol faz parte da preparação de todos.
José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista, na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.