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Tenho de ensinar. E agora?

Este meu espaço no Blog do Chiarella é dedicado, normalmente, a falar somente sobre Educação, em especial na cidade de Santos. No entanto, como vivemos um momento excepcional (no mau sentido), vou mesclar um pouco com a situação mundial criada pelas milhões de pessoas infectadas pelo coronavírus, o Covid-19. Numa hora como essa é que precisamos pensar no EAD (Estudo A Distância), e na home schooling que é uma forma de educação domiciliar. Apesar de o STF (Supremo Tribunal Federal) ter dito que o home schooling é constitucional, entendo que precisa ser regulamentada por lei para ser reconhecida legalmente.

Para mim, a escola passa às crianças e jovens muito mais do que o simples conhecimento. Ali, nos bancos escolares, os alunos do Fundamental I e Fundamental II, as responsabilidades maiores da cidade de Santos, onde moro, assimilam muito mais do que as matérias curriculares. Eles aprendem a conviver com as diferenças, aprendem a perguntar, acostumam-se a ser ou não aceitos, aprendem a liderar e a ser liderados, enfim, uma série infindável de situações que fogem do dia a dia nas suas casas.

Hoje, por conta do isolamento social que enfrentamos devido à pandemia do Covid-19, estamos – com raras exceções – separados e vivenciando uma nova circunstância de convivência, ou de ausência de contato pessoal, restritos que estamos a familiares ou a poucos amigos dentro das paredes de nossas casas. Com isso, os alunos, que estão com as aulas suspensas, sofrem. Agora, a rede particular de ensino dá uma lição de eficácia e competência de comunicação com seus alunos, que, pela internet, continuam com atividades curriculares mesmo em suas casas.

Em contrapartida, a municipalidade santista suspendeu as aulas através da Seduc (Secretaria de Educação) de Santos. O triste nesse fato da suspensão das aulas é que dessa forma não teremos reposição. Desde a segunda-feira, dia 30 de março, eles disponibilizaram conteúdo no Espaço do Aluno uma plataforma para os estudantes da rede pública com conteúdo das matérias. Seria bom se todos os alunos tivessem internet gratuita e pudessem acessar os dados sem dificuldade. Mas isso não acontece, pois os alunos da periferia não têm esse acesso. Isso é ineficaz! Eles (Seduc e prefeito) continuam tomando atitudes para remediar a situação num momento de crise. Fica a questão: por que as escolas particulares conseguem e as públicas não conseguem?

Eu, professor Chiarella, faço outra pergunta: como esses alunos da rede pública voltarão às aulas, seja lá quando recomeçarem? Qual será a forma de eles se comportarem em relação ao conteúdo que voltará a ser ministrado? Esse espaço de tempo sem receberem ensinamentos, com certeza criará uma instabilidade nos alunos santistas do Fundamental I e Fundamental II. Repito que cito os santistas, mas aí nesse grupo acrescentaria todos os estudantes da rede pública do Estado de São Paulo e do Brasil. Quero uma educação eficaz, sem progressão continuada, onde o aluno é promovido sem ter aprendido as matérias.

Esse tipo de educação nos levará a colher os frutos num futuro não tão distante: alunos que escrevem mal, não sabem somar corretamente, não assimilaram as contas de dividir, de subtração e de multiplicação. A grande maioria não sabe conjugar da maneira certa até mesmo os verbos mais simples. Isso tudo a Seduc e o prefeito de Santos não podem colocar na conta do coronavírus. Nossos governantes federais, estaduais e municipais estão vivenciando o maior vestibular de sua história. Tirando o Governo Federal, tanto o Estado de São Paulo quanto o município de Santos demonstram total incompetência neste momento de crise.

Veja o que a Seduc postou no site da Prefeitura de Santos.

Nova plataforma on-line da educação de Santos tem conteúdos para famílias, alunos e professores

25 de março de 2020 15h37

ALUNOS

A partir do dia 30 de março, ficará disponível o ‘Espaço do Aluno’, com atividades e materiais de estudo com acesso restrito para matriculados na rede municipal. Ainda terá sugestões de rotina para orientação.

Segundo a chefe do Departamento Pedagógico, da Secretaria de Educação (Seduc), Maria Helena Marques, a casa também é um território de possibilidades e aprendizagens e o recurso tecnológico é um meio de aproximação e comunicação entre as famílias e a escola, principalmente no momento em que estamos vivendo. “Nossa preocupação é o cuidado com a vida, maior compromisso da educação. Sabemos que o virtual não substitui o presencial, por isso propusemos ações que complementam o fazer educativo realizado em nossas unidades”.

Ela ainda afirmou que, neste momento, a rotina de estudos não será computada como reposição de aulas, mas sim como uma compensação de conteúdos, uma vez que não se pode garantir que todos os alunos terão acesso à internet. As medidas adotadas pela Seduc serão avaliadas permanentemente e as informações serão divulgadas pelos órgãos oficiais.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina e Relator da 14ª turma do Tribunal de Ética na OAB/SP.

Tenho de ensinar. E agora?