Os alunos que saem do Fundamental II e dão os primeiros passos para os três anos do Ensino Médio precisam ser orientados e preparados para definir seu futuro. O futuro desses jovens é o da família, da cidade onde vivem, do seu Estado, do Brasil, pois em poucos anos eles estarão à frente de tudo. É claro que muitos têm a natural dúvida sobre o que querem fazer na vida. Nada mais normal, pois eles entram numa fase em que, apesar da pouca idade, de agora em diante precisam projetar a profissão. E aí é que está o ponto decisivo, pois alguns poucos, muito provavelmente direcionados pela família, já têm em mente que querem trilhar este ou aquele caminho. Se farão ou não e se serão felizes ou não, só o tempo dirá. Outros alunos – uma grande parte – não têm a mínima ideia do que farão para sobreviver dentro de alguns anos.
Todos esses jovens, independentemente de terem escolhido a futura profissão, precisam aprender a ter equilíbrio na decisão que pode ser para a vida toda. Para isso, eles podem contar com a ajuda dos professores, dos orientadores, de profissionais da área da Educação de suas respectivas escolas e até mesmo de fora delas. Pais, responsáveis, amigos, parentes que exercem atividade que os atrai, certamente são admirados por eles. No entanto, escolher uma profissão, um caminho que só leve em conta a remuneração, o ter, pode ser complicado. Ninguém defende que dinheiro não é essencial para se viver num mundo capitalista como o nosso, mas dinheiro não é tudo. Não vale nada você ter um bom emprego, ser bem pago e todos os dias voltar para casa decepcionado, chateado, descontente com as suas atividades e pensando naquilo que realmente gostaria de fazer.
É preciso que os jovens entendam que esse tipo de escolha provoca um tremendo desgaste emocional, a despeito de eventual bom saldo bancário. Trabalhar sem prazer, sem gostar do que faz, se torna um fardo emocional praticamente impossível de ser carregado de forma suave e leve a vida toda. Quando o jovem consulta seu coração, e não somente o bolso, e descobre o que realmente deseja fazer da vida, ele consegue um progresso emocional sem igual e, mais do que tudo, sem preço. Uma pessoa que faz o que gosta, independentemente de a profissão ser mais ou menos valorizada pela sociedade, trabalha com satisfação, com alegria e a tendência é que esse prazer em realizar algo agradável gere maior rendimento e, por consequência, melhor remuneração, o que fecharia esse círculo virtuoso. Você ser o que quer e gosta te leva a ter o que precisa para se manter.
Buscar essa harmonia entre fazer o que ama e sente prazer (ser) e ter retorno financeiro adequado para suas necessidades (ter) é algo que os jovens que entrarão no Ensino Médio precisam ser orientados. Especialmente essas gerações mais novas, que gostam de tudo imediata e instantaneamente, precisam ter calma para fazer uma boa escolha, uma que as deixe leves e realizadas profissionalmente. A opção correta pode – e deve – levá-los a buscar ser o melhor na sua atividade – seja qual for -, e isso fatalmente é o primeiro passo para conquistar uma boa remuneração. Caso não seja o melhor salário de todos, o prazer e a alegria de se realizar algo bom e agradável se unem à satisfação de fazer a coisa que sempre sonhou. Para se ter bens que fazem bem para a vida, é preciso ser o que se sonhou. Quem pensar somente em ter, nunca vai ser o que quer.
José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.