Responsabilidade e consequência são conceitos fundamentais em qualquer sociedade civilizada e estão intimamente interligados e são essenciais para a vida em sociedade. Ser responsável não implica em tão somente executar as tarefas que lhe foram designadas, em obedecer a lei. Isso é obrigação. Ser responsável vai além, pois também tem o sentido de deixar de fazer determinadas coisas. Uma pessoa responsável tem de reconhecer suas obrigações e deveres, cumpri-los e obedecê-los, mesmo que ninguém esteja ali para ver o que está sendo feito. Ser responsável é também estar ciente de que seus atos, palavras faladas ou escritas, geram impacto na vida de outras pessoas. Um cidadão responsável deve agir com integridade, ou seja, com honestidade e retidão.
As consequências são resultados de atitudes e decisões que um idoso, um adulto, um jovem, um adolescente e até mesmo uma criança tomam através de atos responsáveis e até irresponsáveis – em algumas situações com o sentido de ainda não conseguir discernir situações que podem resultar em pontos positivos, negativos ou neutros. Especialmente em alguns casos de pessoas com mais idade, essa falta de discernimento pode facilitar, e ter como consequências negativas, prejuízos morais e financeiros com as incontáveis fraudes que surgem na internet. A falta de domínio da tecnologia, um ato sem a devida responsabilidade, leva muitos idosos a se transformarem em vítimas preferidas desses golpes. Já nas gerações mais jovens, por terem sido criadas na era digital, quando fatos relacionados à área ocorrem, se pode conceituar como falta de responsabilidade no sentido mais amplo. Afinal, diferentemente dos mais velhos, em geral, eles possuem maior familiaridade com celulares, computadores, enfim, toda a moderna gama tecnológica. Além disso 90% dos pais dessas gerações mais novas acompanham o que eles fazem e o que acessam e 100% das escolas cuidam também dessa área essencial.
Os atos dessa faixa etária se tornam irresponsáveis quando geram problemas para eles e para outras pessoas. Se a consequência foi somente pessoal, o custo da atitude estará limitada somente às famílias. Quando fere terceiros, com crimes como injúria, difamação, calúnia entre outros, eles precisam entender que isso implica em punições. Se, especialmente, crianças, adolescentes e jovens cometerem atos irresponsáveis e saírem ilesos, eles entenderão que a máxima de que vivemos no país da impunidade é verdadeira. Demonstrações de gente sair ilesa de graves crimes são vistas quase que todos os dias nas famigeradas audiências de custódia em que criminosos presos em flagrante são soltos pela Justiça, muitas vezes antes mesmo de os policiais terminarem seus relatórios da ocorrência. Essa visão de falta de responsabilização – pura impunidade – que permeia o Brasil pode gerar graves reflexos no presente e no futuro. A sociedade como um todo tem de exigir correção rígida de crimes, por exemplo, como beber, dirigir e provocar a morte de outra pessoa.
Nas escolas é preciso se ensinar desde pouca idade, que existem regras que têm de ser obedecidas sob pena de punições, que começam com uma simples advertência verbal, passam por escrito, chegam à conversa com os pais ou responsáveis, alcançam suspensão das aulas até chegar ao limite da expulsão da escola. Tudo isso para restabelecer a consciência dos alunos. Além de se punir, se deve também investigar os motivos que os levaram a cometer tais atos. O que não se pode é passar para essa futura geração que atitudes irresponsáveis não geram punições. É preciso lembrar que em breve esse grupo estará à frente das cidades, do Estado e do Brasil, e aí será tarde demais para se reclamar deste ou daquele governante, simplesmente por ele não ter aprendido que falta de responsabilidade gera consequências.
José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.