O mundo vive momento de intensa movimentação quanto à utilização adequada da IA, a Inteligência Artificial. Grandes empresas passaram a utilizar, ainda que com certa desconfiança desse importante e que no futuro, tudo indica, se tornará essencial em vários segmentos da vida. Nas escolas não é diferente e quem convive no meio dos estudantes dos mais variados níveis, com certeza já se pegou lendo algo que não se encaixa bem no perfil de determinada pessoa. No caso das instituições de ensino, de certo aluno, deste ou daquele curso. Quem observa isso é o professor, justamente uma profissão que tem sido desvalorizada demais nos últimos tempos.
A resposta à pergunta do título é complicada de ser respondida por pessoas que teimam em afirmar que os mestres perderam espaço, até significado com o advento da IA. Algumas perguntas devem ser feitas para se esclarecer essa questão que se torna até absurda. Vamos às perguntas: alguma dessas máquinas em que a Inteligência Artificial está inserida já incentivou um aluno a se esforçar mais em determinada matéria? Já tomou a essencial atitude de encorajar um aluno que, desmotivado por problemas familiares, passou a ficar desatento às aulas? Alguma delas tem a capacidade de perguntar se tudo está bem com ele e na casa dele? A IA já demonstrou – só de olhar para um aluno – preocupação com a vida dele fora da sala? Todas essas respostas certamente serão negativas.
A IA é muito interessante, claro que auxilia na solução de problemas, responde incontáveis questões, tira inúmeras dúvidas, enfim, colabora no repasse de informações, é uma ferramenta para auxiliar os professores no ensino, otimiza o tempo, mas não é um ser humano. Falta e nem poderia ter sentimento. Não responde com carinho uma questão, não tira uma dúvida de várias maneiras até o aluno compreender exatamente o que quer saber. A IA não provoca a capacidade de aprendizado dos alunos, não se relaciona com eles. Não tem amor pelas crianças, pelos adolescentes, pelos jovens e pelos estudantes mais experientes. Esse é um sentimento exclusivo dos professores, que não têm a mesma quantidade de informações armazenadas pela IA, mas são humanos, têm sentimentos, riem e choram com seus alunos e por isso têm a capacidade de se relacionar com eles. São gente, não máquinas repletas de dados. E, mais do que tudo, os mestres, dependendo da situação, como mediadores e facilitadores sabem se calar e deixar o aluno abrir o coração e falar, desabafar e dar um caloroso abraço no final. Isso, com certeza, nenhuma máquina sabe fazer!
José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.