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Quem manda mais? Pais ou filhos?

Um dos maiores desafios da paternidade é educar devidamente os filhos. Pais, mães, em alguns casos tios-avôs, parentes, que tomam para si, ou são levados a essa difícil missão, têm de se esforçar ao máximo para que os pequenos sigam determinados caminhos e, acima de tudo, aprendam a respeitar as leis e a seguir e obedecer regras impostas em todos os segmentos da sociedade. O que temos visto nos dias de hoje é que as atuais crianças, adolescentes e jovens – todos com integrantes das gerações Z (nascidos entre 1997 e 2010) e Alfa (a partir de 2010) – filhos da Geração Y (entre 1981 e 1996), enfrentam sérios problemas em cumprir simples regulamentos. Segundo educadores, o principal motivo dessa, digamos assim, rebeldia deles está na educação recebida.

Muitos dos pais atuais, filhos de integrantes das gerações Babby Boomers (entre 1946 e 1964) ou X (1965 e 1980), evitam repetir o que receberam em suas casas por considerarem um processo educacional que chamam de repressivo. Ou seja, ouviram e entenderam o que significa a palavra não! Assim, sem seguir o caminho dos progenitores, algo que poderia ter algumas mudanças naturais devido aos novos tempos, eles eliminaram do vocabulário esse advérbio de negação e criam cidadãos individualistas avessos às normas e regras justamente por não aprenderem o real significado do verbete que limita os atos de todos dentro e fora de suas casas. Sem entender a profundidade do sentido dessa essencial palavra de três letras, eles agem, primeiramente nas escolas e instituições de ensino, da mesma maneira que em seus lares. Eles não aprendem que a vida faz o ser humano progredir especialmente nas derrotas que todos tiveram, têm e terão pela frente. O caráter do homem é forjado na adversidade.

Com essa educação sem restrições, quando recebem tudo em mãos e sem terem qualquer coisa negada, ficam sem limites na vida cotidiana. Pais e responsáveis precisam ensinar os pequenos que não têm como eles ganharem a sonhada liberdade completa sem enfrentar os riscos. Nas escolas os pais se ausentam das reuniões para discutir a vida dos filhos, diferentemente do que os agora avós faziam, quando acompanhavam mais de perto não só as notas como também o que acontecia nas instituições. Muitos integravam as extintas APMs (Associações de Pais e Mestres) e ouviam e falavam sobre os seus filhos. A família se sentia pertencente à comunidade educadora em situações simples como auxiliar nas festas juninas com presença nas barracas, doando brindes entre outros pontos. Certamente todos sabem que a correria da vida diária mudou muito nesses anos, pois a necessidade de manter uma casa e pagar incontáveis boletos e contas que não param de chegar, é visível.

No entanto, essa constante baixa frequência de vários pais nas reuniões – motivados por excesso de trabalho, outras prioridades, até falta de interesse – feitas para eles saberem como anda a vida escolar das crianças, dos adolescentes e dos jovens os leva a ficarem sem retorno de pessoas que passam com seus filhos boa parte do dia, muito mais do que eles próprios. Caímos na máxima de quem nasceu primeiro, a galinha ou o ovo, mas de forma diferente, pois muitos pensam assim: Eu não vou às reuniões porque não é bom e porque não é bom, eu não vou à reunião. Esse descaso – sim descaso! – com a vida escolar dos menores leva pais e responsáveis a receber de volta o que incutiram como educação na mente dos filhos, em quem passam a acreditar em tudo o que os pequenos dizem e a duvidar das palavras dos professores. Essa questão disciplinar, em geral, é falta de gestão familiar, pois com a família sem participação no processo de aprendizado deles, crianças adolescentes e jovens se sentem no controle, assumem o rumo da situação e passam a mandar nos pais.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.

Quem manda mais? Pais ou filhos?