• Acesse as minhas redes sociais:

Pais, brilhantes conselheiros

Para que pais possam se tornar conselheiros dos filhos e filhas é preciso que exista uma relação entre eles. Sem isso, não se consegue estabelecer um vínculo afetivo e real. O primeiro passo para a existência dessa proximidade, em geral, tem de partir dos pais, que enfrentam dificuldades para manter financeiramente as casas e carecem da falta de tempo para isso. Se querem mesmo se relacionar, precisam encontrar momentos para se sentar ao lado deles e conversar. Esse é o primeiro passo: ter relacionamento verdadeiro com as crianças, adolescentes e jovens. Sem isso, nada acontece.

Conquistado esse espaço e essa essencial confiança junto a eles, deve-se buscar o equilíbrio entre a natural autoridade dos pais – compreensão, amor, ajuda no desenvolvimento dos caráter dos filhos – e as conversas. Ser conselheiro não é fácil! Demanda tempo, conhecimento profundo e algo difícil de se fazer: ouvir mais do que falar. E, quando se manifestar, ser direto, objetivo, enfim, se tornar uma referência segura, uma figura essencial na sequência do relacionamento. Antes de se emitir qualquer conselho é preciso que exista real comunicação entre as partes. Nesses momentos os pais precisam estar de ouvidos abertos, atentos e boca fechada.

Mesmo que discordem de tudo o que foi dito, mesmo que sejam totalmente contrários ao exposto, devem somente ouvir. Só isso já estabelece uma ponte de comunicação, no caso, para o diálogo entre pai e filho. Convém lembrar, especialmente para alguns pais mais modernos, que nada pode anular a natural autoridade que os progenitores devem ter sobre os pequenos. Outro ponto essencial é não dar sua opinião imediatamente e sim perguntar se pode dar pitaco no que foi dito. ‘’Posso dar uma sugestão?’’ ou ‘’Quer ouvir o que eu penso sobre isso?’’. Se ele está ali numa conversa franca e confia, claro que dirá sim. Esse é o resultado do que foi construído anteriormente, do tempo investido na vida dele, dos ouvidos abertos a todas as colocações, opiniões e dúvidas, da oportunidade de ele expor suas opiniões.

Pais sempre têm de se lembrar que, além de tudo, precisam exercer liderança sobre eles, que carecem e sentem falta dessa figura à frente de tudo nas casas. Crianças, adolescentes e jovens precisam ouvir que os pais já passaram por determinada situação, para eles atual, e podem ajudar a deixar menos dolorosa a caminhada. Pais precisam ser bússolas para dar rumo, têm de andar com eles no caminho – não somente mostrar a direção – mostrando onde se encontram as pedras e os buracos e explicar o porquê fizeram desta ou daquela maneira. Caso os pais não os alertem na infância, na juventude, na fase adulta certamente cobrarão essa falta de orientação em casa. Pais bons conselheiros transformam silêncio em lições e erros em oportunidades.

Casais mais jovens e modernos passaram a dizer sim em excesso aos filhos em vez de corrigi-los. A palavra não é um grande aprendizado na vida. Um cuidado fundamental nesse aconselhamento dos filhos é evitar que os pais invertam a situação e passem a desabafar sobre os problemas no trabalho, na família. É o momento de eles falarem. Só eles. Não se deve inserir na conversa problemas de adultos e transferir responsabilidades ou preocupações para as quais ainda não estão preparados. Eles estão ali para serem aconselhados e não para aconselhar. Estão ali, também, para serem educados e aprender a andar nos caminhos certos. Pais conscientes precisam ser como faróis que os auxiliem nas dificuldades da vida.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.

Pais, brilhantes conselheiros