O mundo moderno oferece muitas facilidades, mas, ao mesmo tempo, coloca incontáveis pressões sobre as pessoas. Homens e mulheres têm meios de transporte mais velozes e acessíveis, ganharam formas de se comunicar imediatas, falam com todo o mundo de maneira ágil, muitos executam trabalho sem sequer precisar sair de suas casas. Outros pegam seus celulares ou computadores e resolvem todos os problemas bancários num piscar de olhos, enfim, têm agilidade nunca antes vista. Mas todas essas coisas têm um preço, às vezes alto e caro demais. Tudo é muito bom e ajuda a vida a ficar menos corrida. Ajuda mesmo?
A contrapartida dessas inúmeras facilidade apresentadas pela tecnologia e pelo transporte entre outros segmentos essenciais, tem o seu preço, que também é alto, e alguns se mostram aparentemente impagáveis. As pressões decorrentes disso tudo nos aprisionam em caminhos estreitos e, muitas vezes, sem saída. A sonhada liberdade de trabalhar em casa, de usar um transporte ágil e estar conectado com o mundo todo 24 horas por dia pode nos direcionar para caminhos sem saída e repletos de obstáculos que – de forma paradoxal – nos impedem de seguir adiante. É preciso ser forte, corajoso para recomeçar diariamente. Homens e mulheres precisam colocar de lado, de preferência de forma definitiva, ou jogar no lixo digital e mental, o que as paralisa e dar um passo à frente para continuar a caminhada da vida. De forma redundante: quem fica totalmente parado não vai a lugar algum e nem faz nada.
Reconhecer as falhas, reprogramar os rumos, projetos e objetivos, enfim, recomeçar, trás libertação das grossas correntes que nos impedem de progredir e encarar as dificuldades e circunstâncias da vida. As dificuldades podem ser bem úteis em quem as enfrenta com coragem, pois mostram as vulnerabilidades que todos os seres humanos apresentam, de maneira clara ou não. O medo de enfrentar esses momentos de provação por que se passa é uma porta aberta para o inesperado que, se tudo correr bem, será um belo exemplo de obstáculo superado e fará parte de essencial aprendizado.
Como suplantar esses momentos que, em maior ou menor escala, todos enfrentam? O escritor italiano Umberto Eco defendia que o ócio é um momento de prazer e reflexão profunda, permitindo que a mente produza ideias novas e conexões, pontos essenciais para repensar os passos e alcançar ajuda. O ócio criativo não serve somente para o desenvolvimento intelectual e artístico, como propôs Eco. Pode ser usado no dia a dia do trabalhador comum. Esse descanso, o distanciamento momentâneo da questão, é algo que precisa ser controlado com o devido equilíbrio, pois de nada adianta ficar parado o tempo todo e deixar as coisas acontecerem à revelia. É preciso parar para se pensar melhor, fugir do estresse dos momentos duros, buscar novos com vinhos e soluções e seguir em frente.
José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.