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O desafio é ensinar para a vida

Um simples olhar para o passado, nem tão distante assim, nos leva a constatar que muitos dos tipos de empregos que tínhamos há cinco, dez anos, deixaram de existir e surgiram outros. Opções diferentes de carreira se abriram para a população e ninguém sabe exatamente o que acontecerá com a variedade de novos trabalhos que certamente surgirão nos próximos cinco ou dez anos. Com essas incertezas, fica a pergunta para os nossos educadores, que como eu, professor Chiarella, querem preparar os alunos não só para ingressar em uma nova profissão como também para lidar com o que vai aparecer.

A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) é um documento de caráter normativo que define o conjunto de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo da Educação Básica, que tem início nos primeiros anos do Ensino Fundamental I, passa pelo Fundamental II e desemboca no Ensino Médio. As duas primeiras fases de ensino são de responsabilidade total da Prefeitura de Santos, cidade onde moro e sobre a qual mais comento neste Blog do Chiarella. Já na segunda o ensino é dividido com o Governo do Estado de São Paulo.

Tá bom, falou, falou falou e aonde chegaremos? Respondo que o importante nisso tudo é que os alunos precisam começar a compreender, desde os primeiros contatos com as carteiras escolares (hoje também com as aulas on line) para que serve o que é ensinado nas escolas e qual posição eles podem ocupar num futuro bem próximo. Os professores têm de ser capacitados constantemente para se tornarem facilitadores e não simples repassadores de conhecimento das matérias curriculares. Isso só acontecerá, além da preparação adequada a esse novo mundo em que todos fomos obrigados a conviver desde o ano passado, com a convivência plena dos mestres com seus discípulos para que os alunos desenvolvam todas as habilidades pretendidas na BNCC.

Essa lista de habilidades tem, por exemplo, aperfeiçoar o pensamento crítico, desenvolver competências como aprender a colaborar, a liderar, a ser liderado a dar e obedecer ordens, a opinar e a ouvir opiniões. É preciso que nossos alunos também se comuniquem adequadamente nos vários setores da sociedade e com isso usem o debate, que deve ser estimulado pelos professores – debate é a boa discussão onde se discutem as ideias e os pensamentos e não o simples confronto. Nessas conversas o mestre assume o papel de mediador e aproveita para incentivar o pensamento das crianças e dos jovens para assimilarem o que acontece fora de suas casas e dentro das empresas que estão no mercado global de trabalho onde eles serão inseridos.

Quando o professor coloca as questões em discussão, ele também aprende, pois vai ouvir propostas que provavelmente nunca imaginou. Claro que esses debates não resolverão, por exemplo, a fome do mundo, mas podem colaborar em algo que, no futuro, ajude a fazê-lo. Os alunos necessitam ver onde colocarão em prática o que recebem de informação dos mestres. Eles estão ansiosos por descobrir onde este ou aquele conhecimento recebido os ajudará no dia em que forem jogados às feras do mundo dos negócios, seja de que ramo for. Nos primeiros anos escolares, o maior momento em que os professores são respeitados pelas crianças, esse afeto é estabelecido. Já nos anos finais se observa um distanciamento, que tende a crescer no Ensino Médio, justamente o momento da maior e triste evasão escolar. Nós, professores, precisamos ensinar os alunos para a vida para mantê-los no ensino, para que continuem a aprender.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.

O desafio é ensinar para a vida