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Mulheres bebendo sem controle

Praticamente todos os seres humanos garantem ter controle sobre seu corpo, suas vontades, seus desejos. Isso não é totalmente verdadeiro, como comprovam as pesquisas feitas por organizações ligadas à área médica. No entanto, um fato chama a atenção nos resultados apresentados nos últimos anos: o crescimento do alcoolismo entre as mulheres. Estudo publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia mostra que, entre 2006 e 2023, houve considerável aumento nas taxas de consumo de álcool entre pessoas do sexo feminino residentes nas capitais do Brasil. Pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revela dados preocupantes sobre o aumento de fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) entre os brasileiros em geral, homens e mulheres.
 
Entre o público pesquisado praticamente dobrou o consumo excessivo de bebida alcoólica: passou de 7,7% em 2006 para 15,2% em 2023. Entre os homens, a taxa era de 24,8% em 2006 e foi para 27,3% no último ano pesquisado. Como consumo abusivo foi considerado o parâmetro de cinco ou mais doses para homens e quatro ou mais doses para mulheres em uma única ocasião, pelo menos uma vez nos últimos 30 dias. Claro que os dados apresentam níveis preocupantes para ambos os sexos, mas o abuso de álcool entre as mulheres aumentou 4,25% ao ano entre 2010 e 2020, com a taxa quase que dobrando de 7,7% em 2006 para 15,2% em 2023, aproximando-se dos perigosos, e nada honrosos, níveis masculinos. Marketing direcionado para o sexo feminino, busca pela inserção social e estresse no trabalho diário contribuem para o cenário apresentado. O uso excessivo também provoca aumento de mortes entre as mulheres, além de sérios riscos à segurança e à saúde. 
 
Curiosamente, a Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) acusada de vários problemas – muitos deles justamente – no caso do excessivo consumo de álcool entre as mulheres vai na contramão, pois elas e eles têm apresentado tendência de redução de bebidas alcoólicas. Estudo da Mind & Hearts (empresa especializada em pesquisas e inteligência de mercado) revelou que 36% dos jovens da Gen Z consomem álcool no máximo uma vez por mês, menos do que as gerações X e Y. Além disso, 88% dos jovens de 18 a 25 anos estão dispostos a diminuir ou abandonar totalmente o álcool, demonstração de maior conscientização dos impactos na saúde física e mental. Embora os Z sejam considerados “mais sóbrios” em relação ao álcool, eles exageram na ingestão de energéticos.
 
Esse assunto do alcoolismo ganha destaque nos cinemas com o filme (Des)controle, que relata a história de uma escritora de 45 anos, Kátia Klein, interpretada por Carolina Dieckmann, que vive uma crise criativa provocada pela pressão do trabalho e dificuldades na família. Diante dessa situação, que ela entende como de difícil solução, Kátia busca alívio na bebida, passando de uma simples taça de vinho ao descontrole total, caindo no alcoolismo.
 


José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.

Mulheres bebendo sem controle