Desde a antiguidade a paciência é uma das virtudes mais complicadas e difíceis de ser exercida pelo ser humano. Nos dias de hoje, então, a situação piorou. Homens, mulheres, e até mesmo as crianças, querem tudo de forma imediata. Agora, já, sem demora, pois não temos tempo a perder! A impaciência tem início no balcão de uma loja, padaria ou bar. Demorou, não quero mais! Mesmo que não tenha urgência, as pessoas querem ser atendidas logo. Querem ultrapassar o carro da frente que está lento demais para os meus interesses. Mas quando se está na frente manda passar por cima. falta paciência. Esses momentos ficam claros no uso dos aparelhos eletrônicos. Até alguns anos atrás – os mais velhos se lembrarão bem disso – a internet era acessada somente pelo telefone e tinha um barulho (um tipo de apito) característico e todos se mostravam surpresos com a agilidade e a rapidez com que se conseguia transmitir informações, textos, fotos. Era uma maravilha! Durou pouco tempo a empolgação, ou a paciência.
Alguns anos depois, todos se pegam reclamando da demora na resposta ou na conexão do celular ou do computador, apesar de a velocidade ter aumentado exponencialmente. Falta paciência, uma virtude que auxilia na tomada de decisões mais seguras, que colabora para aperfeiçoar o controle emocional e proporciona alcançar projetos e objetivos de longo prazo. Paciência é fundamental na vida do ser humano, pois há muitos séculos nossos antepassados tiveram a determinação (paciência) de ficar observando o céu nas noites e descobrir constelações que nunca teriam sido desvendadas sem a devida paciência. Entre alguns pontos essenciais para a vida moderna.
Gostamos de ver paciência nos outros e até admiramos quem a possui. Paciência é a virtude de quem sabe esperar. Nas batalhas da vida a calma é sinal de força e confiança. Um sábio disse certa vez que ”a paciência é a coragem da virtude”. No entanto, ter essa virtude aflorada nas nossas mentes e, principalmente, nas atitudes diárias, também pode causar problemas como a excessiva passividade, que pode ser chamada de excesso de paciência. Demorar demais para resolver uma situação urgente e tolerar situações em que ficam claras a injustiça e o incômodo para si próprio e para outras pessoas indica o que poderíamos denominar de paciência excessiva.
A paciência deve fazer parte inegociável da atividade do professor, na espera do tão almejado resultado na transformação da vida de seus alunos. Como tudo na vida, é necessário se buscar o equilíbrio. Nem paciência de menos – lembre-se do garçom no restaurante -, nem paciência demais, a ponto de ficar muito tempo inerte esperando ver sua demanda atendida. Haja paciência! Nos dois sentidos.
José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.