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Geração Z diante da realidade

A Geração Z, formada por homens e mulheres nascidos entre 1995 e 2010, os nativos digitais, ainda neste ano de 2024 deve ultrapassar os Baby boomers (nascidos no pós-Segunda Guerra Mundial entre 1946 e 1964) no mercado de trabalho. No entanto esses jovens, todos com menos de 30 anos, não têm somente boas notícias. De acordo com pesquisas da Deloitte Brasil – Auditoria e Consultoria Empresarial, e da Glassdoor, um empresa norte-americana de recrutamento de funcionários, uma boa parte dos integrantes da Geração Z possui vários problemas que dificultam a contratação pelo mercado de trabalho. Não se pode generalizar, pois parte deste mesmo grupo é capacitada e tem sede de aprender.

No entanto, eles precisam superar suas próprias deficiências. O primeiro e essencial passo é admitir tê-las, algo que as gerações mais novas relutam em fazer. De acordo com pesquisas, 56% desses jovens se consideram estressados e ansiosos, o que não deixa de ser um passo à frente. No entanto, recrutadores de vários níveis afirmam que os candidatos da Geração Z não se vestem adequadamente para a entrevista de emprego (58%), não fazem contato visual (57%), têm exigências salariais fora da realidade do mercado (42%), não se comunicam bem verbalmente e na escrita de simples e-mails (39%) e não parecem muito interessados ou engajados (33%). De acordo com 21% dos gestores, depois de contratados eles demonstram falta de ética (57%), dificuldade de se relacionar bem com os colegas (22%), atrasos para o trabalho (34%), para reuniões (25%), tendem a se comportar de forma arrogante (60%) e são difíceis de gerir (26%) entre outros problemas.

Além de não se apresentarem adequadamente para a entrevista, também usam linguagem inapropriada para um local de trabalho. Problemas de etiqueta são simples de se solucionar, diferentemente daqueles de educação e caráter, pois no meio corporativo existem rígidas regras a serem obedecidas. Esse não cumprimento de normas leva ao chamado conflito de gerações, pois os baby boomers, em geral os recrutadores – quatro em dez evitam contratar a Geração Z – e executivos de alto escalão, tendem a evitar contratações problemáticas. Relatos de recrutadores beiram o ridículo, pois alguns da Geração Z chegaram a levar a mãe na entrevista de emprego. Além do problema do candidato, a maior deficiência está em a mãe concordar em integrar esse peculiar momento. São pais, geralmente da Geração Y, imediatamente anterior à deles, e que não sabem usar o simples não. Apesar de algumas situações como essa, antes de dizer que eles estão totalmente errados, é preciso considerar – numa atitude bem paternalista – que talvez sejam apenas diferentes, pois muitos deles cresceram durante a pandemia da Covid-19, sem a chance de trabalhar ao lado de profissionais experientes no início da carreira, o que poderia lhes dar enorme vantagem. Você não se transforma em um bom empregado sem a devida orientação e crescimento.

A Geração Z traz embutida na sua formação uma versão diferente do que é sucesso, baseada mais na realização pessoal e na liberdade do que na ascensão corporativa. Vetar contratações da Geração Z não é algo sustentável, já que depois de superar os baby boomer neste ano, na década de 2040 também começarão a superar os Millenials, ou a Geração Y, formada por nascidos entre 1980 e 1995, ou seja, seus pais. O futuro é sempre jovem. Então, as empresas precisam se preparar e fazer algo a respeito. Não só as empresas. Especialmente as escolas carecem de programa de política pública – algumas particulares já têm apresentado – para reverter e capacitar os jovens a enfrentar essa situação. Nunca é tarde para os governos Federal, Estadual e Municipal iniciarem esse trabalho de preparar os estudantes dos dois primeiros anos do Ensino Médio para o cada vez mais exigente mercado de trabalho. Vale destacar que existem brilhantes jovens na Geração Z, uma demonstração de que a barreira foi quebrada com a correta e dirigida forma de criação e de educação, familiar e escolar.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.

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