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Formação em T

O mercado de trabalho vive em constante modificação, assim como grande parte dos segmentos profissionais da sociedade moderna. Um dos pontos mais importantes buscados pelos responsáveis pelos departamentos de Recursos Humanos (RH) das grandes empresas é por profissionais capacitados em diversos segmentos, um que seja multidisciplinar. Eles querem aquela pessoa capaz de transitar com facilidade em áreas distintas, mas que tenha muita competência na que atua diretamente. Em linhas gerais, isso é o que os especialistas chamam de Formação em T.

O presente, não o futuro, exige gente com grande dose de conhecimentos gerais, o que preenche a parte horizontal do T, além de profundo trânsito na área específica, a linha vertical do T.

Esse processo de capacitação em conhecimentos tem de ser iniciado no Fundamental 2 e no Ensino Médio, justamente quando os alunos começam a mostrar proximidade com alguma área. Tudo tem de ser trabalhado na cabeça dos adolescentes e jovens adequadamente e de acordo com as idades. Só assim eles ganharão o conhecimento geral tão necessário para o mercado de trabalho. É preciso que os professores apresentem as especialidades e os próprios alunos detectarão a que mais lhes agrada, a que mais se encaixa no seu perfil, no interesse em certa área, seja ela qual for.

A atuação dos mestres, apresentando a eles o que o mercado de trabalho carece, tende a gerar no grupo – cada um de forma individual – uma busca específica, e ao mesmo tempo ampla, pelo conhecimento, ou seja, vontade de aprender para ter a devida competência na área a ser escolhida. Essa formação da parte de cima do T dará a base para a decisão e a futura escolha da profissão.

Imaginemos uma linha horizontal, a mesma que foi ensinada e incutida na mente dos adolescentes e jovens. Da parte debaixo dela sairiam várias ramificações que podemos definir como sendo as incontáveis especializações e que crescem dia a dia no mundo todo. A maior capacitação no segmento escolhido será a perna vertical do T, ou seja, a área específica definida para o trabalho.

O futuro profissional não precisa saber tudo – não existe alguém que tenha todo esse conhecimento -; ele tem, sim, de transitar bem em todas as áreas e, claro, buscar ser o melhor na que optou. Entre os adolescentes e os jovens, a detecção de um com esse perfil é aquele que apresenta certa notoriedade entre os colegas de classe. Isso implica em ele ser o aluno ou aluna, procurado para ajudar os outros a resolverem problemas. Geralmente é descolado (a), transita bem em todas as áreas e dele emana uma natural liderança.

O mercado de trabalho está atrás de gente desse jeito. Pessoas multidisciplinares, com habilidades não só socioemocionais, como também profissionais no seu segmento específico. Os professores têm de apresentar e mostrar claramente aos alunos qual tipo de trabalhador o mercado exige e busca avidamente. Só assim os adolescentes e os jovens poderão seguir nesse importante rumo. Com essa orientação eles darão início à visão de automatização do processo de forte conexão e, assim como no esporte competitivo, a repetição auxilia e fortalece essa formação.

Existem vários grandes atletas, alguns campeões, outros recordistas mundiais que servem como exemplo desse intenso envolvimento no treinamento. O jogador de basquete brasileiro, Oscar Schmidt, quando iniciava a carreira, assim que acabava os treinos da sua equipe, enquanto os outros iam embora, ele ficava na quadra e arremessava cerca de 500, 600 vezes na cesta. Todos os dias. Essas repetições mentais e mecânicas (vertical) aliadas aos fundamentos do basquete e à preparação física (horizontal), o tornaram um dos maiores cestinhas do mundo. No caso das salas de aula a repetição é caracterizada pela lição de casa, que imita a atividade da sala de aula e estabelece uma conexão forte com o aprendizado.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina

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