Aqui estou eu, professor Chiarella, para falar sobre Educação, especialmente na nossa cidade de Santos. No meu primeiro contato com vocês, comentei sobre a importância dos professores na formação das crianças, especialmente do Fundamental 1 e Fundamental 2, que são responsabilidade do município. Também falei sobre a necessidade de deixar as crianças em escolas mais próximas de suas casas para facilitar a vida dos pais, parentes, enfim, de quem os leva e os busca na escola, e reduzir as faltas às aulas, comuns, principalmente em dias chuvosos.
Agora vamos conversar sobre a necessária aproximação dos pais com a escola. Todos sabemos que pais e mães, na maior parte das vezes, precisam trabalhar para garantir o sustento da casa, pois a cada dia está mais difícil alimentar os filhos, pagar impostos como água, luz, condomínio entre outras despesas obrigatórias. Assim sendo, em nenhum momento se pretende dizer que alguns pais são ausentes sem motivo justo.
Pais e responsáveis pelos meninos e meninas que frequentam o Fundamental I e Fundamental II precisam atravessar os portões de entrada e conhecer melhor o local onde seus pequenos ficam boa parte do dia. Eles têm saber com quem seus filhos convivem até mesmo mais do que com eles – isso durante o período letivo. Entre o tempo gasto no trajeto casa/escola/casa e o período normal de aula, são cerca de cinco horas e meia/seis horas que os pequenos gastam. Somando a esse tempo algo em torno de uma hora e meia para fazer os deveres de casa, no total chegamos a, aproximadamente, sete horas nas atividades escolares.
Numa conta normal, em suas casas elas usam outras duas horas para alimentação, e dormem, em números redondos, oito, o que, somado, dá em torno de 17 horas de um total de 24 do dia. Com isso, sobram sete horas para o necessário lazer. Feitas essas contas, que podem variar de família para família, nota-se que uma grande parte do dia dos pequenos – quase a terça parte – é usada para os estudos. Assim, os pais precisam ver de perto e participar das decisões que envolvem a vida dos filhos. Ainda sem o completo entendimento da situação, pois são pequenos demais, na escola os menores têm a segurança de saber que foram deixados ali e que serão pegos de volta. Isso é fundamental na vida emotiva delas.
Os responsáveis têm de entender que a escola não é um depósito de crianças. Ali estão os principais responsáveis pela formação para a vida. Na escola, que os familiares precisam conhecer melhor, ele adquire habilidades socioemocionais, desenvolve competências, como empatia e autocontrole, e aprende a gerenciar e a resolver seus problemas. A garotada também aprende a viver em grupo, a assumir e dividir responsabilidades, a liderar e a ser liderado. Vejam que todos esses ensinamentos diários, muitas vezes são repassados aos próprios pais. Isso mesmo: nossos filhos nos ensinam coisas novas e renovam em nossas mentes conceitos que já estavam esquecidos pelo tempo.
Nos nossos próximos encontros voltaremos a conversar sobre as novas gerações de crianças e jovens com quem convivemos dentro da nossa própria casa.
José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina e Relator da 14ª turma do Tribunal de Ética na OAB/SP.