O título acima reflete uma das grandes dúvidas da nossa vida. Pensar é um dos maiores atos de liberdade que temos. Mentalmente podemos viajar, imaginar, sonhar, tudo sem sair do lugar. No entanto, a coisa se complica, pelo menos no mundo atual, quando resolvemos expressar para os outros as nossas ideias. Especialmente os mais jovens, aqueles que vivem conectados às redes sociais, sentem na pele, e de forma rápida e direta, as consequências de suas opiniões, caso sejam diferentes de sua turma, de seus amigos, enfim do grupo de gente próxima, da escola, da faculdade, de onde quer que seja. Um pensamento diferente daquele da maioria e eles correm o risco de serem julgados sem direito à defesa, são ameaçados de exclusão e, muitas vezes, cancelados.
No entanto, essa liberdade de expressão, de colocar para fora o que se sente, é um dos direitos fundamentais que a Constituição Federal nos garante, junto com a vida, a igualdade e, claro, a liberdade. No entanto, e sempre existe uma condicional, temos de assumir o que fazemos. Esse é um dos deveres impostos pela Carta Magna do Brasil. Assim, nada do que se pensa ou se escreve pode ser anônimo. É preciso assumir o que se escreve e se fala. Isso é obrigação de todos, sejam os menos favorecidos da sociedade até os donos dos mais altos postos da Nação. Mas essa igualdade defendida é realmente igual para todos? Minha pergunta está ligada diretamente ao motivo do Blog do Chiarella, que é a Educação na minha cidade de Santos e no Brasil como um todo.
Desde que a Pandemia da Covid-19 começou, há cerca de um ano e meio, temos visto e sentido que os estudantes não são mais os mesmos. Na verdade, todos sofreram mudanças, algumas radicais, seja no trabalho, no cotidiano, nas escolas, nas universidades e por aí vai. Nas salas de aula o grande desafio é como manter os padrões de ensino e de relacionamento anteriores ao coronavírus? A resposta é que a Educação como um todo precisa se reestruturar e dar voz aos estudantes, especialmente àqueles das escolas públicas. Para isso acontecer é necessário que entendam seus direitos e deveres. Eles precisam compreender que a liberdade de expressão deve acontecer, com responsabilidade, mas sem a interferência legal, seja de quem for, que o impeça de expressar abertamente sua opinião, seja favorável ou contrária ao famigerado politicamente correto. Defender esse direito é obrigação do Supremo Tribunal Federal (STF), cuja função deveria ser a de guardar e proteger a Constituição.
A liberdade na sala de aula também deve ser obedecida e não é muito diferente do que estabelece a lei. O único que não pode mudar essa liberdade é o professor, que tem função de mediador entre os vários tipos de pensamento que eventualmente surgem na classe. Inclusive o seu, que não deve ser forçado aos alunos, que têm de ouvir as várias possibilidades e decidir qual mais se adapta às suas necessidades e forma de pensar. As matérias ensinadas nas salas de aula, como matemática, português, química, física, geografia, história etc. tem de ser passadas a eles de forma cada vez mais prática. É necessário que entendam para que servem as contas feitas, onde utilizarão as palavras aprendidas e como serão usadas, por exemplo, as aulas de química no seu dia a dia. Não adianta nada saber matemática e não ter controle sobre suas finanças, assim como de nada vale conhecer a nossa língua se não souberem escrever e nem se expressar corretamente. Temos o direito de pensar e externar nossas opiniões com responsabilidade e de forma não anônima e precisamos passar ensinamentos práticos aos alunos. Esse é grande desafio que nós, professores, temos de inserir nas classes e repassar às crianças e aos jovens quando retornarmos presencialmente às salas de aula.
José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.