A modernidade dos tempos tem acelerado tudo na vida das pessoas. No caso das crianças, dos adolescentes e dos jovens mais ainda, pois de uns anos para cá eles passaram a receber a cada minuto uma quantidade inimaginável de informações. Corretas e incorretas e das mais variadas fontes. Confiáveis e sem serem merecedoras de qualquer credibilidade. Como eles ainda têm dificuldade para discernir esses pontos essenciais, acabam por acumular tudo, o que, mesmo de forma inconsciente, acelera o pensamento e os leva a pular fases importantes na formação para a vida profissional. Esse salto por sobre etapas vai atrapalhar a vida deles num futuro bem próximo.
No entanto, existe uma linha de pensamento que entende como correto crianças, jovens e adolescentes receberem essa enxurrada de informações a cada momento, pois imaginam que isso é bom, pois acelera o aprendizado deles. Outro grupo de educadores defende a tese de que essa velocidade do recebimento de fatos e notícias os torna impacientes e irritados com o que consideram a demora das coisas. Eles passam a querer tudo de forma rápida, imediata, mesmo que seja sem avaliação correta e, assim, pulam o normal processo de amadurecimento dos seres humanos. Isso contribui para confundir a cabeça deles na hora de começarem a escolha da profissão para o futuro, isso e as pressões social e da família.
A família – palavra que adquiriu um conceito muito amplo – sempre foi e será fundamental na evolução – ou não – de crianças, adolescentes e jovens. Nenhum processo educacional funciona de forma adequada sem a participação dos pais e dos responsáveis. A família precisa ser equilibrada e presente na vida dos alunos, pois é ali que eles passam a maior parte do tempo. Se na escola ele despende cerca de seis horas diárias, as outras 18 são vividas em casa, pelo menos na teoria.
Estatísticas apresentam crianças de cinco, seis anos participando de vários grupos de WhatsApp, recebendo recados de qualquer tipo, o que é excessivo. Essa avalanche de informações não contribui para o processo de aprendizado, pois tende a torná-las crianças, adolescentes e jovens extremamente irritadiços e acelerados e, com isso, sem o devido discernimento dos fatos. Alguns educadores acreditam que eles ainda são inocentes, mas fica a dúvida: será que eles sabem o que escrevem ou são inocentes mesmo e não têm a devida noção e simplesmente são levados pela acelerada massa de informações que recebem a cada momento?
Algumas escolas têm tentado tratar essa questão da precoce aceleração com a proibição dos celulares nas salas de aula, algo que reduz o recebimento de informações pelo menos durante prováveis seis horas diárias. Além de cuidar da saúde mental dos alunos com o desenvolvimento de suas habilidades socioemocionais resultando no processo de desaceleração. Quando pais ou responsáveis adquirem ciência do trabalho dos educadores, passam a colaborar também em suas casas. Essa força tarefa, formada por alunos, responsáveis e escolas, precisa trabalhar de forma efetiva junto às crianças, aos jovens e aos adolescentes.
Esses atores necessitam orientá-los a perseverar em seus sonhos. Perseverar não é somente insistir. Implica, também, em fazer eventuais mudanças na rota original. Tudo sempre com a essencial colaboração dos pais e dos responsáveis. Caso essa correção de curso não ocorra, nossas crianças, nossos adolescentes e nossos jovens correm o grande risco de se frustrarem na escolha da profissão do futuro e isso vai levar a prevalecer a dor e não o amor à opção.
José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.