• Acesse as minhas redes sociais:

A velha nova idade dos 60+

As novidades pelas quais o mundo passa a todos os momentos chegam a ser assustadoras. O que pela manhã é algo novo, inédito, sensacional, à tarde já deixou de ser com o surgimento de uma nova ideia, um novo aparelho, alguma coisa que ninguém ainda havia pensado. Mas a avalanche de informações não vem somente dos conceitos e das inovações tecnológicas. No começo deste século 21 surgiu, principalmente em Portugal e no Brasil, um movimento que passou a reconhecer a importância das pessoas 60+. Demorou, diriam os jovens de hoje! Diferentemente de algumas décadas atrás, ficou claro que os antigos idosos haviam tirado o pijama que a aposentadoria tinha preparado para eles e se tornado ativos, curiosos, dispostos a estudar e a aprender, quesitos que os afastaram do rótulo de idosos, que apresenta um ancião curvado e com uma bengala.

Essa visão caiu por terra e surgiu a nomenclatura em inglês New Older Living Trender (NOLT), que numa tradução livre é Nova Tendência de Viver a Maturidade, termo que nasceu devido às mudanças demográficas, econômicas, de comportamento e de cuidado e melhoria de saúde dessa geração que deixou de ver os anos vividos como obstáculo e passou a encará-los como essencial experiência profissional e de vida. Essa maturidade ativa afastou os chamados idosos de suas casas e os levou a não parar de trabalhar completamente. Passaram a estudar, a viajar, a mudar de carreira, a empreender – hoje são mais de 4 milhões de empreendedores dessa faixa etária -, a se cuidar, a se manter curiosos, abertos e dispostos a aprender, a evoluir em todos os segmentos, a continuar a ter propósito de vida sem aceitar o rótulo de fim do ciclo. Enfim, a se manterem ativos, a dar uma nova cara à velha e decadente nomenclatura de Terceira Idade.

O movimento NOLT passou a demonstrar às pessoas de outras faixas etárias que a maturidade pode ser uma fase de novos recomeços e não de simples encerramentos. Hoje o Brasil, assim como muitos países da Europa, tem uma grande massa de 60+. Aqui pelos nossos lados são mais de 35 milhões de pessoas, com o importante percentual de 16,6% da população nacional, isso de acordo com dados recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do Ministério dos Direitos Humanos. E esse grupo, que cresceu mais de 50% na última década e pela primeira vez na história superou o de jovens entre 15 e 24 anos, passou a mudar de rota e apresenta crescimento rápido e contínuo se tornando o que mais aumenta no País.

Em todas as profissões a renovação se faz necessária, mas sem menosprezar a experiência, essencial nos mais variados segmentos. É preciso entender que experiência não é um peso. É uma bagagem essencial. Os antigos velhinhos, que se via pelas ruas, praticamente desapareceram, pois, boa parte desse grupo que antigamente restringia suas caminhadas da frente da tevê para a cozinha e para a cama, deixou de existir. Hoje estão os 60+, 70+, 80+ estão abertos a aprender, fazem e se formam em cursos universitários, enfim, mantêm a jovialidade física e mental e elevam o nível intelectual e a qualidade de vida. Os professores que formam a geração do futuro também têm de ser incluídos nesse grupo, pois anos à frente das classes lhes deram importante conhecimento de como repassar conhecimento aos mais jovens.

Ninguém pode negar que a Terceira Idade é uma fase da vida onde se observa claramente características próprias e muitos integrantes necessitam se adaptar às novas exigências. O que não se pode fazer é encarar essa fase como sinônimo de decadência. Aqueles que já foram jovens e atuantes precisam se encaixar no mutante mundo atual e viver com plenitude e significado aprendendo e, especialmente, repassando experiências.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.

A velha nova idade dos 60+