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A hora da inteligência emocional

Eu, professor Chiarella, tenho batido na tecla, na verdade em algumas teclas, neste meu espaço que procura defender a Educação como um todo, especialmente a da cidade de Santos, onde moro. O avanço da contaminação da Covid-19, que atingiu recorde de mortos nos últimos dias, deixa preocupados a todos, pois coloca em risco o bem mais precioso que temos: a vida. Sem vida não temos nada. Pensando um pouco à frente e com meu característico otimismo, reitero a necessidade de cada vez mais humanizarmos nossas relações, que nos últimos anos mais se distanciaram do que aproximaram. E não estou só falando do coronavírus, que tem deixado o mundo de joelhos. O que me preocupa, especialmente agora, é que falam em fechar novamente as escolas.

Nossos alunos, crianças e jovens, os professores, todos ligados à Educação sofreram muito em 2020 com a ausência nas classes e, assim como os mestres, passaram a conviver com aulas híbridas, uma mistura de ensino on line e presencial. Difícil para todos, especialmente para os alunos das escolas públicas, normalmente com famílias de menor poder aquisitivo e sem acesso grátis à internet. Ficou claro que a tecnologia facilita muito e auxilia no aprendizado e ainda chegaremos à comunicação, diria, plena, com a desembarque do 5G. Ajuda, sem dúvida que ajuda, mas continuamos carentes de relações interpessoais, humanizadas. Temos de buscar e aprender a ter equilíbrio, autocontrole, a sermos acolhedores, a termos respeito, a sermos flexíveis nas ideias que podem ser modificadas e, principalmente, precisamos ser humildes para aceitar opiniões contrárias às nossas.

Hoje o simples fato de discordar divide as redes sociais. Precisamos desenvolver nas novas gerações a denominada inteligência emocional, que consiste em ter autocontrole, capacidade de ouvir as crianças e os jovens e de os ensinarmos a fazerem o mesmo com opiniões divergentes. Só quando essa flexibilização for bem desenvolvida alcançaremos a capacidade de termos equilíbrio nas opiniões e nas decisões. Esse é o caminho dos educadores: formar cidadãos para a vida, gente consciente de suas responsabilidades, dos seus direitos e deveres, do lado do aluno e do professor.

Temos de aprender a buscar tornar o aluno protagonista e o professor um orientador que encaminha os jovens e as crianças a terem seus pontos de vista definidos e a saírem das salas de aula, pelo menos no Fundamental I e Fundamental II, as responsabilidades diretas da Prefeitura de Santos, bem preparados para disputar espaço no mercado de trabalho, a ingressar no universo de uma empresa. Eles precisam entender que as matérias ensinadas nas escolas podem ajudá-los a isso. O professor é a ferramenta ideal para levar a eles esses pensamentos e dar a todos essa preparação, algo que num futuro bem próximo, o Departamento de Recursos Humanos (RH) das empresas vai exigir deles.

A humanização nas relações também é necessária para evitarmos que os dispositivos que controlam quase tudo possam invadir mais ainda nossa privacidade e especialmente nossa liberdade de pensamento. Se não humanizarmos, seremos reféns desses buscadores de internet. Como fazer isso neste mundo quase que inteiramente virtual em que vivemos? Trabalhando desde cedo nas escolas as habilidades socioemocionais dos alunos, fazendo-os entender a fundamental diferença entre o ter e o ser. De nada adianta darmos muito conhecimento técnico (indiscutivelmente necessário) e nada de relações humanas, também essenciais. Nesse caso eles simplesmente não conseguirão aplicar o aprendido. Serão um belo livro fechado. Temos de usar a tecnologia e não deixar que a tecnologia nos use.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.

A hora da inteligência emocional