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A hora da escola em tempo integral

Caiu o número de alunos no Ensino Médio, como revelou o Censo Escolar do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Para a cidade de Santos à qual eu, professor Chiarella, dedico atenção especial, precisava ser mais específico, pois os dados apresentados se referem à Baixada Santista como um todo. Como Santos é a maior cidade da região, vou pegar esses números para me basear e falar sobre Educação, meu foco principal nessas nossas conversas semanais.

No meu entendimento, o dado mais preocupante da pesquisa está na redução do número de alunos matriculados na Baixada Santista no ano passado. Vamos lembrar que os dados analisados e divulgados são de 2019, pois neste ano as aulas só começaram nesta semana em algumas escolas municipais. No ano passado exatos 9,29% de alunos deixaram de frequentar as cadeiras escolares do Ensino Fundamental, que é responsabilidade da Prefeitura de Santos, que não tem tido o devido cuidado com as nossas crianças sob sua responsabilidade educacional, como venho demonstrando neste Blog do Chiarella desde o ano passado.

Na Baixada inteira eram 71.899 alunos no Ensino Fundamental e esse número caiu para 65.283. Claro que ninguém pode negar a situação econômica pela qual passa o Brasil, o que dificulta a presença dos alunos, mesmo que a escola seja gratuita. Muitas vezes, pela distância da moradia para a escola, os pais acabam por deixar os filhos em casa para não ter gastos com transporte para estudar, ou mesmo não terem o devido tempo para levá-los à escola. Essa elevada distância entre residência e local de estudos é um dos pontos que tenho reclamado neste blog e é preciso que a cidade de Santos faça um urgente estudo para facilitar a vida das crianças, dos adolescentes e de seus familiares, com escolas o mais próximo possível das casas.

A pesquisa do Inep também mostrou um dado preocupante para o futuro das cidades da Baixada Santista, pois diminuiu em 6,42% o número de crianças/adolescentes/jovens entre 11 e 19 anos, faixas etárias que abrangem o Ensino Fundamental I e o Ensino Fundamental II (dos 6 aos 15 anos), como já disse, que ficam sob a responsabilidade da Prefeitura de Santos. Essa redução do número de pessoas nesta faixa etária (mostra um envelhecimento da população) não deve sinalizar para os responsáveis que, com isso, podem diminuir o investimento na Educação, uma prática bem comum dos nossos governantes.

Em compensação, se bem utilizada, essa significativa redução pode ter um lado altamente positivo e disparar a escola em tempo integral em Santos, com alunos estudando de manhã e à tarde, com direito a café da manhã, almoço e lanche durante as cerca de oito horas que permanecerem nas suas classes. A Prefeitura de Santos precisa usar sua força para levar os alunos de volta à escola. Necessita remunerar melhor e preparar adequadamente os professores para que ensinem não somente as matérias curriculares, como Português, Matemática, Geografia e outras. Eles precisam ajudar os alunos a se preparar para a vida e a entender como essas matérias ensinadas os ajudarão no futuro, que está aí. A Prefeitura de Santos precisa investir não só nos alunos, mas também, e especialmente, nos professores.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina e Relator da 14ª turma do Tribunal de Ética na OAB/SP.

A hora da escola em tempo integral