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A demonização do professor

Ninguém pode negar que a sociedade moderna sofre com constantes e radicais mudanças de valores, de pensamentos, de ideias e de atitudes. Nada mais normal num tempo em que modificações acontecem a cada segundo. Sem dúvida alguma que certas alterações são importantes e fazem parte da evolução como seres humanos, da adaptação a novos sistemas, a novos padrões de vida, a novas e diferentes situações que todos enfrentam no dia a dia. Paramos de escrever cartas a mão, de as enviar pelos correio, nos adaptamos ao e-mail, ao whats app, aprendemos a utilizar a internet, que em muitos casos se tornou ferramenta essencial no dia a dia, na comunicação, na informação de muita gente. Em compensação, em outros momentos certas mudanças de comportamento se tornam problemáticas ao extremo.

Algumas famílias que supervalorizam seus filhos – todos os gerados ou por quem elas se responsabilizam merecem cuidados – acabam por transformá-los em pessoas que num futuro próximo certamente enfrentarão dificuldades quando os pais não estiverem ao seu lado aparando arestas ou os apoiando e dando-lhes razão em qualquer situação. Um exemplo desse, digamos assim, excesso de zelo com crianças, adolescentes e jovens está no relacionamento de alguns desses alunos com os professores das escolas, sejam públicas ou particulares. Pais, mães e responsáveis, por vezes, defendem tanto os pequenos que acabam por transformar os mestres em algozes, em adversários, e até em inimigos dos alunos, simplesmente por não atenderem todos os desejos deles. Os vários educadores estão ali com a difícil missão de repassar conhecimento a esses grupos e, quando isso não acontece, muitas vezes por falta de estudo e determinação dos próprios alunos, na insana ânsia de protegê-los, os progenitores – injustamente – acabam por demonizar os professores.

Para esse tipo de pais e responsáveis, o que conta é a vontade e a opinião do aluno. Nada além disso. Independentemente do tipo e do alcance do desejo, eles querem que seus filhos sejam atendidos. Simples assim. No entanto, engana-se quem pensa que somente essas jovens faixas etárias são atingidas por esse grave problema. Há pouco tempo foi veiculada uma informação relatando que os alunos de uma Universidade da Terceira Idade (que tem a sugestiva sigla UTI), todos maiores de 60 anos, resolveram interferir sobre quem daria aula para eles. Isso mesmo! Estavam escolhendo seus professores, algo que absolutamente nem pensariam em fazer quando frequentavam os bancos escolares décadas atrás. Isso demonstra que esse problema da supervalorização dos desejos pessoais não afeta somente os filhos e netos desses não tão jovens alunos. Essa inversão de valores atinge a todos diretamente. Fica a pergunta: onde essa sociedade moderna vai parar com esse tipo de pensamento e atitude?

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.

A demonização do professor