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A comunicação como virtude

Comunicação é o ato de se transmitir uma mensagem e quem a recebe entender claramente. Nessa equação existem quatro fatores essenciais: emissor (quem transmite), receptor (o alvo), a mensagem em si (escrita, falada ou em vídeo) o código, pois as mensagens em geral são codificadas num sistema de sinais definidos como gestos, sons, indicações, uma língua (português, inglês, espanhol) ou outros sinais ou desenhos que possuem um significado específico, por exemplo como os emoticons. De forma objetiva, a comunicação é a forma como as pessoas se relacionam, seja através da fala (verbal), do visual (gestos, olhares e movimentos do corpo), do audiovisual (vídeos) através de mensagens (Whatsapp, X entre outros aplicativos) emails, ou ainda pelas várias redes sociais como Instagram, Facebook, Linkedin, Kwai, YouTube, Tik-Tok. Hoje em dia existem muitas maneiras de se comunicar, mas o essencial mesmo é que o ciclo se complete. Ou seja, quem transmite tem de ter certeza de que quem recebe entendeu o que foi falado, escrito, visualizado ou apresentado das mais variadas formas. Aí, sim, a comunicação se completa.

A comunicação virtuosa é um pouco diferente, pois busca transformar em algo cotidiano transmitir mensagens alicerçadas em valores éticos, morais, gentis. A dúvida é como fazer isso e criar esse tipo de situação que tende a aperfeiçoar relacionamentos de todos os tipos? A comunicação virtuosa transcende a comunicação básica, pois exige uma escuta ativa de uma conversa, algo como ouvir atentamente sem interromper. Quem ouve tem de se colocar no lugar de quem fala e agir e demonstrar respeito para que se forme uma conexão positiva e firme e o contato com o emissor seja fortalecido. Quando isso acontece se inicia a comunicação virtuosa, pois cresce a confiança entre as partes, que se sentem livres para fazer colocações e opinar.

O virtuosismo pode ser utilizado em vários segmentos da sociedade. No ambiente profissional, na escola, na família, nas amizades e também nas questões hierárquicas em diversos locais. Virtuosidade é um dom que, em geral, todas as pessoas sabem que precisam exercer, mas em boa parte das vezes se deixam levar pelo ímpeto – geralmente errado – e são arrastados pela forte emoção em vez de usar a razão. Claro que é legítimo se sentir raiva. O problema está em como lidar e controlar esse sentimento que pode ser terrível e levar até a situações impensáveis. É necessário se dosar e controlar a raiva como ensina o sábio rei Salomão no bíblico livro de Provérbios capítulo 29, verso 11: ‘‘O tolo libera toda a sua raiva, mas o sábio a domina.’’ Nas mensagens pelas redes sociais existem milhares de emoticons, mas muitos deles não dão a noção exata do que a pessoa deseja realmente passar. Nesse ponto de enviar respostas pelo WhatsApp, por exemplo, é preciso parar para avaliar, especialmente se a resposta foi enviada de maneira desequilibrada, num momento de emoção e raiva. Ou seja, de maneira não virtuosa, pois tende a levar ao erro de retrucar de forma rude algo que, se fosse conversado, seria facilmente resolvido.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.

“Quando estou numa situação em que não tenho nada para fazer, não consigo encontrar alguém para conversar além das pessoas que estão por perto”, relatou um estudante. “Por não conseguir me comunicar à distância, preciso me esforçar mais para comunicar o que acontece ao meu redor.” Parece simples: comunicar o que acontece ao nosso redor. Mas com que frequência realmente nos dedicamos a isso? Com ​​que frequência podemos dizer que não estamos, pelo menos em parte, empenhados em nos comunicar com outras pessoas, apenas parcialmente conscientes do que está acontecendo à nossa frente?

A comunicação como virtude