Os professores são importantes em todas as fases da vida das pessoas dos mais variados níveis e que estudam as mais diferentes matérias. Nos iniciais anos de vida os mestres auxiliam nas primeiras palavras, transmitem ensinamentos básicos no Fundamental I e Fundamental II, no Ensino Médio trabalham e orientam para que os jovens encontrem o caminho da profissão que mais se encaixa nas suas habilidades. E continuam depois, nos cursos universitários, pós-graduações, doutorados e MBA, quando ajudam a aumentar a capacitação daqueles que um dia podem, ou até mesmo já estão, gerindo os destinos das empresas, dos grandes grupos de negócios, o rumo das cidades, dos Estados e até mesmo do Brasil. A profissão de professor, que já foi esculhambada por um político ao dizer que era a última escolha de carreira, merece ser respeitada e cada vez mais valorizada, pois são eles que formam os cidadãos do futuro.
Nos últimos tempos se tem observado a formação de jovens hiperindividualistas, muito em função das facilidades oferecidas pela internet, presente no dia a dia de praticamente todas as pessoas. Essa situação de ter quase que sempre à mão informações e muita gente conhecida favorece a redução e, até mesmo, a perda das essenciais conexões humanas. Basta um toque no celular e lá estão todos que você conhece e com quem se comunica sem sequer precisar sair de casa. Tudo começa com o individualismo, quando os jovens passam a pensar somente neles mesmos, quando buscam unicamente o sucesso pessoal, sem sequer levar para o lado coletivo. Muitos se esquecem das pessoas que vivem e trabalham ao seu redor numa busca, única e exclusivamente, de seus prazeres pessoais.
O caminho para se proteger desse complicado tipo de situação passa pelos professores, pois nenhuma empresa que vende seus produtos na internet e corre atrás dos famigerados cliques, vai querer alertá-los sobre a necessidade de limitar seu tempo nas redes sociais, reduzir as horas diante das telas dos computadores e celulares e bloquear alertas, de qualquer tipo de avisos ou mensagens que os afasta do contato pessoal. Todos esses pontos geram retorno para as empresas, mas debilitam a saúde mental de jovens, de adolescentes e até mesmo de adultos. Nas salas de aula, seja do nível escolar que for, os mestres são o bom alerta que eles precisam para diminuir o tempo na internet e aumentar o contato humano. Aí sim eles terão a oportunidade de interagir pessoalmente com outros homens e mulheres e evitar a solidão que acontece mesmo conectado com milhares de pessoas a um simples toque.
Nos tempos de hoje – na verdade já há alguns anos – não se tem como evitar a internet. Tudo está lá, desde uma simples resposta a uma questão burocrática, até a inscrição para escolas, compra de bilhetes para shows, para jogos esportivos, tudo está lá. Nem é preciso ir mais ao mercado. Basta escolher e recebe em casa. Tudo muito fácil. O que crianças, adolescentes, jovens e adultos carecem é ter equilíbrio no uso da tecnologia e lembrar que tudo em excesso tende a ser prejudicial à saúde física e mental e direciona do perigoso individualismo para o mais nocivo ainda hiperindividualismo.
José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie , mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina e MBA USP/Esalq em Gestão de Pessoas.