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Amor que valoriza

Saber valorizar os outros é uma das grandes virtudes do homem. Em especial os empresários em relação aos seus empregados, que, em alguns locais, de um tempo para cá passaram a ser chamados de colaboradores. Um simples elogio pode proporcionar aumento de produtividade, redução da troca de pessoal especializado e elevação dos lucros. Só para se ter uma ideia, estatísticas apontam que profissionais motivados (valorizados) são, em média, 31% mais produtivos e vendem até 37% acima. A valorização também passa por um bom salário, mas vai muito além dessa importante forma de reconhecimento, pois envolve respeito, benefícios e bom ambiente de trabalho. Isso vale para todos os segmentos da sociedade, pois melhora a saúde mental dos envolvidos e transforma, para melhor, o ambiente. 

No último mês de maio foi publicada a NR-1 (Norma Regulamentadora-1) direcionada ao bem-estar dos trabalhadores, inclusive das instituições de ensino. Se aplicada corretamente nas escolas, a NR-1 vai auxiliar os gestores na busca por atingir as metas propostas e enfrentar a natural pressão provocada pelas exigências profissionais dentro da política particular da instituição. No setor público estão envolvidos o supervisor de ensino e o Secretário de Educação, isso nos municípios. Um dos pontos primordiais a serem observados por aqueles que coordenam os professores e os alunos é o trato com a família, em especial do Fundamental I, Fundamental II e do Ensino Médio. Nessas faixas etárias o conflito dos alunos com os mestres se torna mais evidente e, normalmente, resvala na família das crianças, dos adolescentes e dos jovens. Essa é a função do gestor educacional, que precisa manter constante contato com os pais, mães, responsáveis, para expor a eles as dificuldades enfrentadas, os problemas, comportamentos e os elogios na sala de aula e na escola.

Todos os que militam com Educação precisam ter, acima de tudo, amor à profissão que escolheram, respeito aos colegas de trabalho, aos alunos e às famílias deles. Isso é o amor que valoriza os receptores do conhecimento. No entanto, essa dedicação não implica em os gestores aceitarem tudo o que os pais ou responsáveis pelos alunos querem, pois eles não podem – e nem devem – mandar na escola e nos mestres de seus filhos. A função dos coordenadores é evitar que os professores se sintam pressionados pelas famílias e pelos próprios alunos. As instituições de ensino são um negócio que tem de dar bons resultados. No entanto, os mestres devem receber o apoio da direção para se sentirem seguros e realizar, da melhor forma possível, o trabalho de repassar conhecimento. 

Por sua vez, o professor também necessita ter consciência de sua nobre missão de ensinar e do motivo que o levou a optar por essa profissão. Por ser uma empresa, a valorização dos empresários aos funcionários carece vir acompanhada de bons resultados e para isso as várias partes envolvidas têm de se entender. Pais e responsáveis precisam compreender que nem sempre seus filhos estão certos e que os professores não constroem somente bons resultados. Eles deixam um legado na vida dos alunos. Mestres dedicados e que sentem o amor que valoriza incutem neles algo mais longo e impagável e que permanecerá a vida inteira. 

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.

Amor que valoriza