O primeiro ponto antes de se tentar responder onde está a felicidade é garimpar muito a resposta. A definição de felicidade acompanha a humanidade desde Adão e Eva e prossegue até os nossos dias, milhares de anos depois das duas primeiras criaturas do mundo. O mais complicado é que se pode encontrar incontáveis respostas, pois não existem regras fixas para ser feliz. É um maravilhoso sentimento que varia de pessoa para pessoa. Uns se sentem felizes na hora de se alimentar, outros com conquistas pessoais ou profissionais, alguns manifestam esse estado de bem-estar emocional e satisfação num simples abraço em parente, amigo, na mulher amada, no homem querido. Filósofos como o grego Aristóteles relacionaram a sonhada felicidade à realização de virtudes e ao propósito de vida, enquanto a psicologia moderna destaca fatores emocionais, sociais e biológicos.
Além da filosofia, as várias religiões também buscam mostrar o caminho para se encontrar a felicidade. Os cristãos, que têm a bíblia como regra de fé e prática, veem nas bem-aventuranças citadas por Jesus Cristo no famoso Sermão da Montanha (relatado nos evangelhos) exemplos de como se alcançar a felicidade. Tem um cântico que diz: ‘‘ A alegria está no coração de quem já conhece a Jesus’’. Para se ativar os, vamos chamar de hormônios da felicidade (dopamina, ocitocina, serotonina e endorfina, sigla DOSE), tem gente que usa os exercícios físicos, ou hobbies como pescaria, praticar esporte, velejar, nadar, enfim, incontáveis maneiras de se sentir livre, leve e solto, ou seja, feliz. A felicidade é tão essencial ao ser humano que é cantada em verso e prosa em poesias, livros e músicas. Uma bastante conhecida é A Noite Mais Linda do Mundo, do cantor e compositor Odair José, que relata numa espécie de refrão: ‘‘Felicidade não existe. O que existe na vida são momentos felizes’’.
Em geral, as redes sociais, bastante questionadas nos últimos tempos, têm a tendência de afastar essa sensação hormonal de alegria, de felicidade. O motivo principal é a comparação que muita gente faz e busca ser igual a esta ou àquela pessoa e em geral não consegue por motivos financeiros, falta de habilidade entre outros pontos. A internet facilita essa maléfica comparação – se feita dessa maneira – em busca de se igualar e atingir a tal felicidade. E o pior, as redes sociais deixam a falsa ideia de algo ser inatingível, especialmente ao jovem que usa esse tipo e comparação em sua vida. Em alguns casos realmente é. Não em todos. O ideal é que os pais auxiliem crianças, adolescentes e jovens a fazer analogias com bons exemplos e para isso necessitam estar presentes na vida deles e orientá-los com explicações detalhadas para imitar somente o que é bom. Além do mais precisam obedecer ao ECA Digital, que se tornou lei no último dia 17 de março de 2026 e proíbe, entre outros pontos, a autodeclaração de idade e vincula as contas de menores de 16 anos aos pais. Os responsáveis, pai e mãe, os mais velhos e equilibrados, tendem a diminuir essa ânsia de se equiparar às celebridades.
É necessário ter equilíbrio no uso das redes e buscar manter o bom humor, rir, estar com os amigos, enfim, tornar mais frequentes esses momentos e situações que geram alegria pessoal. Tem também a gratidão, sentimento que ativa a serotonina, um dos hormônios da felicidade, e que regula o humor, o sono e até o apetite. Essa substância química é ativada no organismo ao se recordar de momentos felizes e ao se receber reconhecimento, algo que faz bem para a alma. Estudos científicos dos últimos anos têm comprovado que fé e Ciência se complementam e não são antagônicas como se pensava até pouco tempo atrás. Ambas podem convergir para um caminho semelhante e facilitar, e até mesmo enriquecer, a compreensão da realidade do mundo sem conflitos intransponíveis. Seja feliz!
José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.