Qual pai ou mãe, tio, tia, avô, avó, enfim, qual responsável nunca se pegou perguntando a si mesmo se está tomando a decisão correta ao orientar, ao corrigir, a ensinar uma criança, um adolescente ou até mesmo um jovem? Isso dentro de casa ou até mesmo nas salas de aula ou nas quadras e campos esportivos. Muitas vezes dói muito mais em quem decide punir do que no que recebe a, digamos assim, a velha e conhecida bronca. No entanto, para se educar é necessário agir de maneira que na maior parte das vezes não agradará aos dois lados, principalmente a eles, que recebem a punição. São situações difíceis e até incômodas, mas absolutamente essenciais para auxiliar na formação do caráter nessas faixas etárias. O principal quesito nessa complicada equação é, como em toda a vida, ter o adequado equilíbrio entre a razão e o coração. Os dois juntos, de forma bem balanceada, integram a receita perfeita para se atingir o alvo com a menor dor possível de ambos os lados.
Em qualquer segmento da vida, profissional ou privada, no trabalho ou na família, nas relações amorosas ou nos enfrentamentos da vida, com amigos e desconhecidos, o principal alvo a ser atingido é o amor. Amor ao próximo, amor aos filhos, aos netos, aos sobrinhos ou simplesmente àquela pessoinha que você escolheu para cuidar dela e auxiliá-la a se tornar um ser humano honesto, um cidadão de bem, uma pessoa útil à sociedade. Até mesmo na sala de aula, onde as crianças, os adolescentes e os jovens passam a maior parte do dia, é preciso que eles aprendam a demonstrar esse cuidado com os colegas, com todos os profissionais da área educacional, e também aceitem as normais correções dos professores, que estão ali para repassar conhecimento e ajudá-los na formação para a vida futura.
Decisões difíceis doem, muitas vezes em ambos os lados. Um sofre por achar que está sendo rigoroso demais com os alunos, com os filhos, netos, sobrinhos, enquanto os menores geralmente imaginam que não fizeram nada demais e que a punição foi por extremamente pesada e dói muito. Tanto os professores, assim como todos os que trabalham para ajudar na educação intelectual deles, quanto os alunos, seja de que idade forem, sentem o peso da pena. Todos sofrem, uns por arcarem com as consequências e os outros por muitas vezes acreditarem que poderiam ter feito algo melhor na formação daquela criança, adolescente ou jovem. No final, fica a complicada e dura busca pelo balanceamento entre a necessária razão e o também essencial agir com o coração.
José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.