Vivemos momentos de extrema violência na sociedade como um todo. Esse sentimento aflora mais ainda na nossa mente quando vemos crimes como assassinatos, estupros, abusos sexuais, físicos e mentais, trabalho análogo à escravidão e, pior de tudo, nos sentimos impotentes diante desses atos que, vez ou outra, atingem toda a população, ricos e pobres, de maneira direta ou indireta. Por isso os brasileiros acabam questionando o sistema de justiça em geral, que deveria proteger cidadãos de bem e punir criminosos. Nos últimos tempos temos visto nos noticiários juízes e afins extremamente condescendentes com os fora da lei em detrimento da população honesta.
Como os simples cidadãos brasileiros podem colaborar para que a situação da violência se altere, para melhor, claro? O trabalho voluntário é uma das maneiras e se torna importante para as habilidades socioemocionais, pois levam a aprender as consequências dos atos praticados em visitas àqueles que estão cumprindo determinadas sanções pelo que fizeram. O controle das emoções é uma das tentativas eficazes na busca por reverter ou amenizar a caminhada progressiva da violência como um todo, em especial a que se tem propagado nas escolas, onde professores e outros educadores acabam sofrendo agressões físicas e psicológicas de alunos, pais e responsáveis. Integrar família e instituição de ensino é algo mais do que necessário para um fundamental trabalho em conjunto. A punição faz parte da formação do ser humano, mas, neste caso, com critério e conversas entre professores e familiares. Ajudar o próximo sem esperar nada em troca é um quesito que pode se tornar fundamental nessa equação.
Professores, diretores, educadores em geral, tanto das unidades de ensino municipais, estaduais e federais, quanto das particulares, precisam usar todas as ferramentas possíveis para reduzir esses índices de violência e agressividade. Pesquisa do Datasus (Departamento de Informação e Informática do SUS órgão vinculado à Secretaria de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde) divulgada há poucos dias mostrou que a violência nas escolas brasileiras cresceu 23% entre 2013 e 2024 e que as maiores vítimas foram as meninas, que representaram 58% dos casos oficialmente registrados.
Atividades culturais interclasses é outra das ferramentas à disposição e de fácil acesso em praticamente todas as escolas. O esporte é mais um instrumento essencial, pois nas quadras, nas pistas, nos tatames, nos campos, as crianças, os jovens e os adolescentes aprendem a respeitar e a ser respeitados, a enfrentar e a superar adversidades de forma individual e em grupo. No meio esportivo, assim como na vida profissional e diária, existe a obrigatoriedade de se obedecer regras preestabelecidas. As várias modalidades esportivas também levam crianças, adolescentes e jovens a entender a importância de dividir e de assumir responsabilidades, enfim, a assimilar o autocontrole nos momentos marcantes da vida. Com isso, eles tendem a manter o equilíbrio e deixar de lado a violência. No esporte competitivo de alto rendimento, especialmente no mais divulgado, o futebol, é preciso uma orientação sobre quais ídolos podem ou não ser imitados, pois vários não são bons exemplos tanto dentro quanto fora dos campos.
José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.