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Conhecer e continuar conhecendo

Entre as inúmeras funções dos pais ou responsáveis está a de criar filhos, netos, sobrinhos, enfim, aqueles que estão sob seus cuidados, e trabalhar para formar um bom homem, uma boa mulher, para que, pessoalmente, se desenvolvam bem e sejam úteis para ele, para sua futura família, para sua cidade, seu Estado e para o Brasil, enfim, para a sociedade como um todo. Para essa difícil busca não existe uma receita única a ser seguida. Cada pessoa é um ser com sentimentos e emoções particulares e diferentes. Assim, todos precisam passar pelas mais diversas situações na vida, a começar pela infância, quando as crianças têm de entender muito bem o significado da palavra não. De nada adianta protegê-las em demasia, pois no futuro, dentro de alguns meses, talvez poucos anos, elas terão de enfrentar situações onde sentirão medo, sofrerão angústia, ficarão triste, se sentirão calmos, alegres, poderosos, algo natural a todos. A vida é feita desses momentos. Bons e maus.

A criança, o jovem e o adolescente precisam se conhecer o melhor possível e não somente ter a informação deste ou daquele sentimento ou situação a ser enfrentada. Para isso eles têm de formar o chamado repertório emocional, compreendido por felicidade, tristeza, ciúme, insegurança, angústia, orgulho, empatia, medo, raiva e uma grande gama de outras emoções e sentimentos. Nada melhor para os mais novos passar por situações consideradas complicadas, que muitas vezes para eles parecem insolúveis, e aprender na prática a superar os desafios da melhor forma. Claro que ninguém defende deixá-los sem a devida orientação, pois isso em vez de ajudá-los pode ser um empecilho muito grande no crescimento e atrapalhar ou até bloquear o amadurecimento. É essencial que o repertório deles apresente soluções ou modos de lidar com os desafios desconhecidos que cruzam a vida de todos em algum momento, seja na escola, na família ou na área profissional.

Devido às constantes evoluções tecnológicas, o mercado de trabalho, cada vez mais, coloca situações inusitadas diante das pessoas e muitos desses momentos podem ser inicialmente assimilados nas salas de aula, nas escolas, no dia a dia com colegas que eles gostam e com outros com quem enfrentam dificuldade de relacionamento. Ali eles aprendem a assumir responsabilidades, a dividir os trabalhos, a fazerem a sua parte, a liderar e a serem liderados. Os pais e responsáveis erram quando tomam a frente em momentos complicados e não permitem que eles sequer tentem vencer a barreira. Claro que normalmente é com a melhor das intenções, mas dependendo do nível do problema, é melhor eles passarem agora, aprenderem e, eventualmente, errarem, do que falharem no futuro quando estarão no mercado de trabalho onde não saber agir ou administrar uma situação pode ter efeitos danosos. Eles precisam experimentar para aprender a lidar com esses momentos, sejam tensos, de nervosismo, de alegria, de raiva e por aí vai. A vida é assim mesmo.

Essas ocasiões tendem a levar as crianças, os jovens e os adolescentes a não somente ter uma limitada informação sobre determinado assunto e sim conhecimento – informações úteis obtidas com a experiência – sobre como superar esses obstáculos. Claro que eles sempre podem contar com os pais ou responsáveis para buscar alguém com experiência em determinada área. A equação de enfrentar os problemas e aprender a superá-los fica gravada na memória e os leva a transformar situações ruins e complicadas em grande aprendizado para o cada vez mais concorrido e exigente mercado de trabalho, num futuro que está cada dia mais próximo.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.

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