Todas as pessoas, especialmente os estudantes, sonham com um futuro promissor, sonham em realizar algo que os complemente e os deixem felizes. Claro, além de suprir as necessidades financeiras. Na teoria parece simples, mas até se tentar colocar esse objetivo em prática muita água pode passar por baixo da ponte. Um dos obstáculos, talvez o mais difícil de ser superado, diz respeito às próprias pessoas, pois a pressão excessiva pode afetar negativamente a autoestima, atrapalhar a motivação e reduzir a capacidade de lidar com os inevitáveis desafios futuros. Além disso, essa pressão está ligada a sérios problemas de saúde mental, como quadros de ansiedade e depressão.
Pesquisa feita há pouco tempo pela Umbigo do Mundo, instituição idealizadora da Plataforma de Educação para Gentileza e Generosidade apresentou dados que mostram que 20% dos jovens desejam ter estabilidade financeira, vida confortável e ficar ricos (seja lá o que isso signifique); 16% querem ter casa própria ou para a família, 15% sonham com sucesso (algo extremamente subjetivo), bom emprego e bom salário e 8% almejam terminar os estudos. Todas as respostas foram dadas de forma espontânea. Aparentemente esses são objetivos normais na vida dos jovens, que na mesma pesquisa contestaram ter vontade de viajar e conhecer o mundo. Um dos passos para se alcançar, senão todos, pelo menos boa parte desses alvos, é o exame do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), isso se falando de alunos que pensam em continuar os estudos no Brasil. Isso porque 70% desse grupo de estudantes ter desejo de deixar o Brasil pela dificuldade de encontrar trabalho, pelo aumento da sensação de insegurança e crescente aumento da violência e pela insatisfação com o gerenciamento do País, entre outros pontos.
A expectativa por bons resultados que os levem a ver os sonhos realizados pode ser fator determinante nessa busca. Afinal, o que podemos entender por expectativa? Expectativa é o estado ou a qualidade de esperar algo ou alguma coisa que seja viável ou provável que aconteça; um grande desejo por receber uma notícia ou presenciar um acontecimento que seja benéfico ou próspero. Essa rápida definição, que pode muito bem ser ampliada, detecta – de forma absolutamente correta – que boa parte dos jovens busca nos estudos a escada para seus sonhos e essa porcentagem contraria a pesquisa, cujos dados mostraram que em 2030 os jovens seriam mais ignorantes e egoístas, e que teriam certa irresponsabilidade ao buscarem uma vida fácil sem estudos, sem trabalho e sem esforço.
Além de estudar, se dedicar à escolha da profissão que mais os agradam e que não seja um fardo a ser carregado pela vida inteira, os jovens das várias gerações catalogadas pelos educadores, também podem colaborar de outras maneiras para mudar o mundo. Pelo menos o mundo que os cerca. Esse é o começo de tudo. Alguns pontos merecem destaque nessa busca por aprimorar a própria vida e, inicialmente, a das pessoas ao seu redor. Independentemente de modismos e do execrado politicamente correto, alguns itens que se pode promover para isso: fazer trabalhos voluntários, pois existem diversas causas sociais que influenciam positivamente a visão de um mundo melhor. Ser ecologicamente correto no descarte de lixo, por exemplo. Respeitar e ouvir os outros não achando que tudo o que você pensa e faz é que está certo.
Tem gente mais capacitada e inteligente que merece ser seguida e imitada. Praticar a solidariedade, seja com seus vizinhos, familiares e até mesmo estranhos. Ser consciente de seus direitos e, principalmente, de seus deveres como cidadão, morador, estudante, companheiro de trabalho, enfim, em todas as situações. Não realizar julgamentos precipitados. Uma das máximas do Direito diz que todos são inocentes até que se prove o contrário. Por fim, eduque e ajude a educar as crianças para que no futuro elas se tornem bons cidadãos.
José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.