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Equilíbrio de gerações

Os esportes coletivos possuem a máxima de que uma boa equipe, geralmente, é formada por jovens promessas e gente experiente, atletas consagrados. Essa é a melhor receita para se ter o equilíbrio desejado. Isso nada mais é do que o correto balanceamento de gerações, onde se reúne, num mesmo grupo, a vitalidade e a voluntariedade dos mais novos com a visão diferenciada e a expertise dos mais antigos. Essa mescla tem tudo para dar certo, não somente no esporte, como também, especialmente, fora das quadras, dos campos, enfim no dia a dia das escolas – o foco principal deste texto – e das empresas dos vários segmentos.

A união desses dois grupos de faixas etárias – variam até mesmo internamente – tem reflexo direto nas relações interpessoais, que ganham equilíbrio com a troca de informações e aprendizado de ambos os lados. A NBA, a disputadíssima liga de basquete dos Estados Unidos, teve uma psicóloga brasileira que trabalhava com os jogadores assim que eles eram selecionados nas universidades norte-americanas. Quando eles entravam e imediatamente passavam a ser destaque nacional e internacional, a profissional dava a largada para prepará-los adequadamente para encerrar a carreira, algo muito difícil quando as pessoas são bem conhecidas em todos os lugares.

As escolas municipais brasileiras, iniciando pelo Fundamental I, Fundamental II e chegando ao Ensino Médio, precisam passar às crianças e aos jovens a urgência do convívio de gerações não somente nas classes como também em suas próprias casas. Nas salas de aula eles precisam absorver o que os experientes professores passam e, em suas residências, assimilar a vivência dos pais e dos avós. Existe uma grande carência dessa troca de informações. Os netos e filhos podem ensinar aos mais velhos o uso correto de novos aplicativos e ferramentas da internet, algo que para os mais velhos é complicado, enquanto que para eles é natural, pois nasceram e foram criados com a internet à disposição. E também têm de compreender que o mundo não passou a existir após a internet.

Um dos pontos essenciais é a forma de comunicação, ou seja, como essas gerações falam e escrevem, entre si e com os outros. Com o uso das redes sociais, os mais jovens se habituaram a ser mais emissores do que receptores e isso evidencia que precisam se abrir para querer aprender. A colaboração entre esses grupos não pode se limitar a simplesmente ajudar alguém a ter empatia com os outros. Precisam se colocar no lugar do outro. Ninguém nunca será capaz de sentir a dor alheia, algo que é personalíssimo. É preciso aprender a ouvir, a falar na hora certa e, às vezes, simplesmente estar próximo e ouvir. Enfim, ajudar.

Os jovens estão perdendo o lado humano. Aqui não vai nenhuma condenação aos videogames, onde se mata 20, 30, cem inimigos e quando acaba, logo tudo volta ao normal e todos estão ali novamente. Essas novas gerações têm de entender que as imagens do avião entrando no meio das Torres Gêmeas foi um ataque terrorista real e matou milhares de pessoas que diferentemente dos jogos, nunca mais voltarão à vida. É preciso que essas gerações conversem, troquem ideias e experiências. Para completar, a criatividade é outro ponto essencial. Criar não significa inventar algo novo e sim usar seu conhecimento e o de outras pessoas para fazer de outra maneira algo que já existe. Aí é que a vivência, em épocas diferentes, dos mais experientes, aliada à inquietação e novas ideias dos mais novos gera um contato humano interessante, criativo e produtivo.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.

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