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A ditadura do politicamente correto

Sempre defendi e continuarei a defender a liberdade de pensamento e de expressão. É um direito constitucional básico. De uns tempos para cá, um dos grandes problemas para se manter a livre manifestação de ideias é o que ficou conhecido como politicamente correto, uma espécie de censura que tira a possibilidade de pensamentos e opiniões diferentes daqueles ditados por uma pequena, mas influente, parcela da sociedade. Chega a ser paradoxal, principalmente nestes tempos em que queremos que os jovens respeitem as diferenças. Aí fica a indagação: como fazer isso se o politicamente correto impõe uma regra, não do que devo falar e sim do que tenho de dizer e considerar. Além de proibir o pensar e o falar livremente, isso ainda te induz a dizer o que eles querem que se diga. Sou contrário, pois defendo a liberdade de opinião!

O politicamente correto é uma forma de censura velada, pois não proíbe e sim diz o que as pessoas têm de falar e, até, pensar. Trazendo este ponto para a área da Educação, que é meu principal alvo neste Blog do Chiarella, nas escolas quando os professores querem trabalhar a adversidade precisam falar sobre diversidade, defendendo justamente a capacidade de ideias diferentes e variadas e não pensamentos pasteurizados, daqueles comprados prontos. Um dos grandes desafios para os mestres repassarem aos alunos do Ensino Fundamental I do Fundamental II, ambos responsabilidade da Prefeitura de Santos, cidade onde moro, tem sido fazer os alunos entenderem que a defesa da liberdade de expressão não está ligada ao politicamente correto, onde acontecem situações que bloqueiam novas maneiras de pensar e de agir.

Essa triste figura do politicamente correto também fica clara nas redes sociais, com os chamados cancelamentos, que são, basicamente, frequentadores sendo excluídos para determinada pessoa ou grupo, como se tivessem deixado de existir na vida delas e não permitindo que elas deem sequência às vidas sem o que se definiu como punição. Isso simplesmente por terem opiniões distintas. Algumas vezes esse cancelamento é temporário, em outras a cancelada precisa mudar, pelo menos exteriormente, para ser aceita novamente. Em pleno Século 21 voltamos à Idade Média com tribunais de exceção, onde existem os que podem falar e aqueles que só escutam e pagam o preço, ou cumprem a pena imposta de forma unilateral a eles. Em alguns casos o preço é altíssimo.

Hoje em dia o leque da comunicação deixou de ser privilégio dos grandes veículos como jornais, revistas, tevês, rádios e se diluiu para as várias redes sociais. A forma como a informação é distribuída é muito rápida e o imediatismo se torna um problema, pois surgem as famigeradas fake news (notícias falsas), que navegam de forma paralela ao politicamente correto. A intolerância talvez seja o principal problema dessa forma de pensar. Basta alguém querer conversar, discutir raciocínios e desenvolver a tolerância a reflexões e falas diferentes que imediatamente surgem os problemas da intolerância, seja religiosa, de natureza afetiva, cultural, familiar, enfim, uma série de pontos essenciais na vida de todos.

O mundo é formado por pessoas de cores e etnias diferentes, de cabelos e raças distintas e de vários níveis culturais e intelectuais. Precisamos entender que o defensor da sabedoria é aquele que consegue olhar e avaliar da mesma maneira os mais e os menos favorecidos, captar e repassar que eles têm o mesmo papel na sociedade. Distintos, claro, mas fundamentais, cada um na sua área. Imaginem uma sociedade formada somente por doutores, PHDs ou, do outro lado, por gente sem tanta cultura e formação acadêmica assim? Temos de ter esse essencial critério e o politicamente correto desequilibra essa balança da realidade.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.

A ditadura do politicamente correto