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Ser professor é falta de opção?

Pesquisa realizada entre 2018 e 2019 mostrou dados que podem ser considerados alarmantes. Alarmantes sim, pois tornou público que os jovens brasileiros não têm a profissão de professor entre seus principais objetivos de vida. Ano passado com o desembarque no Brasil da pandemia da Covid-19 a situação deve ter se degradado mais ainda, pois passamos a enfrentar uma revolução educacional em que, com a mudança no formato tradicional das escolas, os mestres tiveram de se autorreformular. Passamos a ter aulas on line – ainda não se sabe exatamente até quando – com professores de um lado da tela do computador e toda a classe na frente de seus celulares, tablets ou outros aparelhos digitais. Uma substancial alteração que se não é inédita na história da Educação mundial, está bem perto de ser.

Mas o que leva os jovens a sequer avaliarem a opção de se tornarem professores? Não existe uma resposta única e nem simples. São vários os fatores determinantes. O primeiro, e provavelmente um dos que mais pesa, é a falta de valorização dos mestres. Valorização em todos os sentidos: de respeitabilidade e financeira. E vejam que estamos falando dos formadores das futuras gerações, falamos daqueles que influenciam muito nossos filhos, netos, sobrinhos, enfim, nossas crianças e nossos jovens! Nossos governantes dão de ombros a essa situação e, sem nenhuma vontade de investir na capacitação dos mestres, continuam a tratá-los como se integrassem uma classe sem importância. Santa ignorância!

O Ministério da Educação (MEC) tem verbas que apresentam números estrondosos e é preciso que fique claro que a Educação começa no que chamamos de mamando (Educação Infantil) e vai até o caducando (Doutorado e pós-Doutorado). Qual é a escola em que se tem de investir? Na da Educação Básica, a inicial, ou nas universidades públicas? Qualquer que seja a opção de se colocar o suado dinheiro dos nossos impostos é necessário entender que, por mais que alguns políticos discordem e até tripudiem, a profissão de professor não é para aqueles que não encontraram outra carreira na vida e acabam caindo de paraquedas nas salas de aula. Muitos deles têm mães, pais, parentes próximos como respeitáveis mestres e essas impensadas declarações acabam por denegrir a própria formação deles, claro dos políticos que a possuem. Será que agora, em altos cargos, eles esqueceram que também passaram pelas cadeiras escolares com professores à frente?

É preciso que os governantes de todos os poderes – com destaque especial para o MEC – revejam seus conceitos e iniciem um processo de valorização dos professores. Nossos mestres envelhecem, ganham a merecida aposentadoria e precisam ser substituídos. Quem o fará se os jovens continuarem a ver a profissão como uma de muito trabalho, pouco reconhecimento, quase nenhum respeito e baixíssimos salários? Presidente, ministros, governadores, prefeitos, enfim, todos os que detêm algum poder de decisão, têm de colocar em primeiro lugar de suas agendas a valorização e a capacitação dos professores. O professor é o grande mediador entre o conhecimento e seus alunos. Ele não é simplesmente uma pessoa que compartilha sabedoria. Os mestres fomentam a cidadania, a ética, o respeito às leis, enfim, uma grande quantidade de ações que fazem parte da formação do ser humano. Ser professor não é uma simples profissão. É um ato de amor e que precisa ser mais e mais respeitada.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.

Ser professor é falta de opção?