Como já disse neste Blog do Chiarella, espaço dedicado à Educação na cidade de Santos, a pandemia provocada pelo coronavírus, o Covid-19, tem levado muita gente a se reciclar para se adaptar à nova situação, que nos leva a ficar em casa, no isolamento social. Claro, me refiro àqueles que não possuem trabalhos essenciais. Com esse momento difícil, os professores em geral, tanto da escola pública quanto da particular, estão se reinventando. As aulas remotas oferecidas neste momento exigem extremo trabalho emergencial de todos os mestres para manter viva a educação dos alunos, que continuam a estudar. Vale lembrar que nessa situação atual os professores estão conectados não somente com os seus alunos e sim com a família inteira, pois eles estão dando uma aula individual, através da câmera, e ao mesmo tempo coletiva, com muitas pessoas acompanhando.
A nova situação, que ainda não sabemos exatamente quando terminará, também muda a forma de os pais analisarem o trabalho dos professores de seus filhos, já que espero que eles passem a ter uma visão mais solidária com o professor, pois, ainda que por alguns momentos, sentem na pele as dificuldades de se lidar pessoalmente com 30, 40 alunos ao mesmo tempo. Essa proximidade com a aula também leva pais e responsáveis a relevar eventuais falhas, os leva a se tornarem mais vibrantes e encorajadores com os muitos acertos dos professores de seus filhos, seja no Fundamental I e no Fundamental II, que são de responsabilidade da Prefeitura de Santos, cidade onde eu, professor Chiarella, moro e sobre quem falo mais diretamente.
A fase que enfrentamos também nos leva a repensar o modelo de Educação que temos. Com isso, passamos a questionar o ensino e o aprendizado nas escolas e que têm de ser reavaliado. A Educação é um bem comum e o prefeito de Santos e a secretária de Educação municipal precisariam ter um olhar mais criterioso com as necessidades dos mais vulneráveis. A preocupação com a Saúde é essencial e ninguém pode negar, mas não se pode deixar totalmente de lado a Educação. Esse novo modelo de escola que fomos obrigados a aplicar precisa ser mais bem analisado e temos de entender, e colocar em prática, a tecnologia, que tem de fazer parte do ensino, de forma mais atuante, direta e intensa. Temos visto ferramentas que ajudam os alunos a fazerem suas tarefas e a ter um contato mais direto e constante com o professor. Isso faz as crianças e os jovens se sentirem acolhidos, e se sentirem queridos e importantes.
Esse conjunto de novidades também deve deixar os pais mais seguros ao notar claramente que seus filhos estão sendo bem preparados para o futuro, mesmo nas escolas públicas. A diferença entre o ensino particular e o público sempre existiu e continuará a fazer parte do nosso dia a dia. Há algumas décadas, as melhores escolas eram as estaduais, onde havia grande disputa por um lugar nas mais renomadas instituições. O simples fato de ser formado em uma ou outra abria portas profissionais. Como, por outros interesses, o Estado deixou de investir na Educação, a situação mudou radicalmente e, há alguns anos, as escolas particulares saltaram na frente e se mantiveram com um ensino de mais alto nível.
Isso aconteceu, também, pela contratação de bons professores, que foram treinados e bem capacitados para os novos tempos. Enquanto isso, a rede pública estagnou. Em Santos tenho cobrado do prefeito e da secretária de Educação projetos de atualização dos professores, de diretores, enfim, de todos ligados diretamente à área educacional. Para termos alunos bem preparados para o duro e competitivo futuro que terão pela frente precisamos de professores mais capacitados em termos tecnológicos e de conhecimentos modernos para eles falarem a mesma linguagem das nossas crianças e dos nossos jovens do Fundamental I e Fundamental II. Esses cursos e estudos são obrigação da Prefeitura de Santos e da Secretaria de Educação da maior cidade da Baixada Santista, que está perdendo terreno e sendo superada nessa liderança educacional regional.
José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.