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Separação que une e espalha

Depois de enfrentarmos o grave problema da catástrofe que atingiu moradores de várias cidades da Baixada Santista, agora a situação é pior ainda, pois teremos de superar uma catástrofe mundial, a disseminação do coronavírus, ou covid-19. Em tempos de praticamente o Brasil inteiro estar parado para tentar evitar a contaminação maior e enfrentarmos um isolamento social que não temos ideia de quanto tempo mais vai durar, temos de tirar algo de bom dessa crise. Eu, professor Chiarella, reconheço que esse distanciamento é difícil, especialmente para povos latinos, como nós, acostumados a abraços, apertos de mão e beijos, mas é a solução para a não proliferação.

Bato na mesma tecla de aprendermos com as adversidades e agora a tecnologia está nos mostrando o quanto é útil e indispensável. Ao mesmo tempo, e pode parecer paradoxal, espero que entendamos a necessidade de um contato pessoal com amigos, parentes, enfim, todos com quem nos relacionamos. a internet é muito boa, mas o contato pessoal é bem melhor! Esse relacionamento é uma das carências do ser humano e o ideal é que busquemos o equilíbrio. Antes, isso há poucos dias, falávamos pela internet com pessoas que estavam do nosso lado. Agora, que não podemos ficar do lado delas por segurança, sentimos a ausência.

E o que isso tem a ver com a Educação, especialmente em Santos, que é o foco principal do Blog do Chiarella? Tem tudo a ver, pois neste momento, nós, professores, precisamos orientar os alunos através da tecnologia. A rede particular e parte da rede pública já disponibilizam conhecimento através da internet. No entanto, a Prefeitura de Santos, especialmente por ser minha cidade e sobre a qual costumo comentar, num momento como esse deveria disponibilizar acessos para que as famílias não usem seus dados de internet para os estudos dos filhos. As famílias não deveriam pagar por isso. Ensino é responsabilidade do Estado, aqui representado pelo município de Santos.

A lei diz que o ensino é presencial, mas numa situação emergencial em que os governos federal, estadual e municipal decretaram Estado de Calamidade Pública, é dever da cidade de Santos cuidar dos alunos do Fundamental I e Fundamental II, sua responsabilidade na área da Educação. Por enquanto não podemos, ainda, disponibilizar via internet orientações novas para os alunos. Pelo menos nessa faixa etária. Nesta semana o MEC (Ministério da Educação) regulamentou que as instituições de Ensino Superior substituam as aulas presenciais por aulas à distância, isso enquanto durar a pandemia do coronavírus. Entendo ser o primeiro passo das autoridades.

Os governantes santistas (prefeito e secretário de Educação) precisam tomar decisões que atinjam todas as camadas sociais, pois a pandemia está aí e matando milhares de pessoas em todo o mundo, inclusive aqui na nossa região, especialmente em Santos. A videoaula só reafirma que a figura do professor é importante, essencial. Mas, independentemente do aprendizado, nesse tipo de relação via internet, falta o afeto que professores de todos os níveis demonstram pelos alunos. Dentro do processo de repassar aprendizado está a convivência, quando o conteúdo é aplicado de forma presencial. Sem dúvida alguma que, especialmente para a faixa etária do Fundamental I e Fundamental II a forma presencial é melhor do que o ensino à distância. Isso nos mostra que o professor não é somente uma pessoa que fica na frente da classe e dá uma aula seja lá de que matéria for. Ele é muito mais do que isso.

Outro ponto que podemos tirar de bom dessa história é que na volta às aulas, que ainda não temos ideia de quando acontecerá, pois depende da redução da disseminação do covid-19, os alunos redescobrirão como é bom estar na escola, como é legal acordar cedo e que isso faz parte da vida deles. Num momento como esse, em que não podemos nem pisar na areia da praia, não só pela minha segurança, mas por todos, em que não posso nem abraçar nem beijar minha avó ou avô, o ato de me manter longe da praia, por exemplo, é muito maior do que beijo e abraço.

Isso nos leva a entender que o aprendizado tem de ser de forma interativa. Os alunos têm de aprender para que o aprendizado servirá na vida deles. Voltar às aulas será hipervalorizado pelos alunos, assim como a presença dos professores ganhará mais destaque ainda. De maneira diferente, mas a valorização será semelhante à dos profissionais da Saúde, que têm cuidado de muita gente doente em todo o mundo e merecem nosso reconhecimento.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina e Relator da 14ª turma do Tribunal de Ética na OAB/SP.

Separação que une e espalha