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A evolução da inteligência artificial nas salas de aula do Ensino Fundamental II e Ensino Médio traz um convite urgente para mudar a perspectiva educacional. As novas diretrizes do Conselho Nacional de Educação deixam claro que o caminho não é a proibição, e sim a construção de uma autonomia progressiva. Mais do que dominar ferramentas tecnológicas, as novas gerações precisam aprender a interagir de forma crítica, ética e consciente com essas inovações. É exatamente nesse cenário que o programa socioemocional ganha um papel central na formação dos futuros profissionais. No mercado de trabalho que aguarda esses jovens, os conhecimentos técnicos e a capacidade de programar ou usar uma IA serão apenas pré-requisitos básicos. O verdadeiro diferencial competitivo estará nas competências puramente humanas, aquelas que os robôs não conseguem replicar.

A empatia, a inteligência emocional, a resiliência perante as mudanças rápidas, a colaboração e a tomada de decisões éticas passam a ser as habilidades mais valiosas. Aprender sobre IA e aprender com a IA exige um amadurecimento que vai além do intelecto, envolve entender o impacto de nossas escolhas no mundo digital e analógico. Diante disso, a escola e os professores assumem uma importância ainda mais vital. O ambiente escolar se transforma no espaço seguro para o letramento midiático, onde os estudantes são estimulados a questionar as respostas dos algoritmos, identificar vieses e combater a desinformação. O professor deixa de ser um mero transmissor de dados e se torna um mentor essencial, o guia que estimula o pensamento crítico e a cidadania digital.

Essa centralidade humana é tão crucial que as novas regras proíbem expressamente a correção automatizada de redações por robôs, avaliações finais de desempenho sem critérios humanos e o uso isolado de detectores de IA para punições. O olhar atento, acolhedor e pedagógico do educador é insubstituível. Enquanto as escolas desenham suas políticas internas de governança e privacidade de dados para os próximos meses, o foco principal permanece em preparar o estudante emocionalmente. Unir a tecnologia ao desenvolvimento socioemocional é a chave para garantir que as futuras gerações liderem a IA com sensibilidade, ética e responsabilidade.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.