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A maioria das pessoas relaciona gambás a mau cheiro, coisas fedidas. Nada mais normal, pois na natureza um tipo desse marsupial (cangambá) usa jatos de um líquido fedorento do corpo para afastar predadores. Como, então, esse título de gambá cheiroso? Esse texto tem como base a história infantil de Rubem Alves ‘O Gambá que não sabia sorrir’, a quem ele deu o nome de Cheiroso. O gambá do conto para crianças vivia de ponta cabeça pendurado num galho de árvore e, naturalmente, via o mundo de cabeça para baixo e achava normal. Ele era feliz assim e vivia com um sorriso (invertido) na cara. Parecia sempre triste, mas estava feliz.

Cheiroso só não entendia como os outros conseguiam, claro na visão dele, viver de cabeça para baixo. Aí, um dia especialistas em animais resolveram mudar sua posição e acabaram com a alegria dele, pois o eterno sorriso na cara virou tristeza quando o mudaram de posição. Mudaram e ele se entristeceu, pois passou a ver o mundo como nunca tinha visto antes e seu sorriso virou tristeza. A vida de Cheiroso adquiriu novo rumo quando um menino se sensibilizou com o sofrimento que observou nos olhos e nos lábios do gambá e restaurou sua alegria ao se colocar no mundo dele de cabeça para baixo. Tudo isso para mostrar que os professores precisam da sensibilidade deste menino para restaurar a alegria de seus alunos.

Os mestres atentos àqueles a quem repassam conhecimento precisam ver, de forma individualizada, nos olhos, nas atitudes, nas palavras e nos gestos dos que estão à sua frente e identificar que tipo de orientação precisam receber. Precisam entender que os lábios tristes podem significar alegria, sorriso. Todas as pessoas são diferentes e carecem de direcionamento individualizado. Como fazer isso numa classe com 40 – ou mais – alunos diferentes? Educadores interessados e capacitados conseguem exigir mais daqueles que podem oferecer mais e cobrar menos de outros.

Com certeza boa parte dos alunos têm sonhos a serem realizados. Os mestres podem detectá-los e auxiliar no ensino e no encaminhamento das ideias. Muitas vezes, pais matam o objetivo dos filhos para impor os alvos que tiveram e não conseguiram realizar na juventude. Crianças, adolescentes e jovens podem, e devem sonhar, pois isso faz parte do processo natural da vida. No conto do gambá Cheiroso os especialistas em animais tiraram a alegria da vida dele, que era ver o mundo de cabeça para baixo com um sorriso nos lábios. Essa era a forma como ele se sentia bem. Dizem que avós deseducam os netos. Falso! Eles ensinam com uma leveza que dificilmente os pais conseguem. Coisas da vida, coisas da idade mais avançada. Da experiência.

Além de incentivar a garotada a realizar seus sonhos, os professores devem encorajá-los a isso. Muitas vezes dar um passo à frente e dois para trás significa aprendizado, pois no recuo a tendência é avaliar melhor o momento. Quando o aluno percebe nos mestres o olhar e a atitude de encorajamento, acredita mais ainda nele e sabe que ele está ali para auxiliá-lo indicar um possível caminho a ser trilhado. A educação precisa cada vez mais de professores apaixonados pelo seu ministério.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.