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O português Joaquim Silvério dos Reis e o brasileiro Domingos Fernandes Calabar são sinônimos de traição tupiniquim. Esses dois personagens marcantes na história do Brasil são o que se define como X-9, o delator, o famoso dedo-duro, a pessoa que denuncia e entrega seus próprios colegas. Na famigerada Máfia, organização criminosa originária da Itália, mas que estendeu seus tentáculos em praticamente todo o mundo, existe a Omertà, conhecida como lei do silêncio, como se se manter calado fosse uma demonstração de força e respeito. Puro engano. Esses exemplos acima são somente para demonstrar que ficar de bico calado, se omitir, esconder a verdade são coisas ligadas à marginalidade – dos mais variados níveis -, pois esse termo criado em 1934 nos Estados Unidos, foi, e continua a ser utilizado dentro dos presídios brasileiros e internacionais. O problema é que essa atitude, de esconder ou evitar falar a verdade, também ganhou espaço – acreditem se quiser – nas escolas particulares e públicas do nosso País.

De forma incoerente, aqueles que, corretamente, falam a verdade são tachados do X-9 e ganham dos grupos, em geral formados pelos bagunceiros das escolas, a fama de cagueta. Falso! O correto seria dizer que eles são, sim, defensores da verdade, atitude que precisa ser apoiada e incentivada por pais e responsáveis pelos alunos. Ser um X-9, seja na escola ou em qualquer outro lugar, não é ser um dedo-duro e sim alguém que defende a verdade, custe o que custar. Aqueles que acusam os companheiros de classe de serem delatores, na realidade lutam para encobrir seus próprios erros. Eles não entendem que quem fala a verdade é ético e defende a justiça. Os outros alunos e, em alguns casos, os próprios pais, carecem perceber, precisam ser radicalmente contra a mentira, entender essa essencial questão moral e de caráter e caminhar na verdade e na ética, por mais que alguns considerem negativo e ultrapassado ser ético e ser verdadeiro.

Mais do que os pais e responsáveis, as escolas também têm a obrigação moral de apoiar os alunos que se baseiam e contam a verdade sobre fatos que outros querem, seja por que motivo for, ocultar, em geral para se proteger. Aqueles que erraram e tiveram seus atos tornados públicos não podem ficar sem sofrer os efeitos da punição, especialmente nas escolas, pois a disciplina deve reger o mundo tanto dentro quanto fora das salas de aula e das paredes escolares. O verdadeiro X-9 é quem revela algo em troca de ajuda, seja financeira ou pessoal, mas sempre em seu próprio benefício. Joaquim Silvério dos Reis colaborou para a morte do inconfidente Tiradentes e Domingos Fernandes Calabar trabalhou para os holandeses, contra os colonizadores portugueses, na invasão de Pernambuco. Eles, assim como outros traidores do Brasil, só buscaram interesses pessoais, prestígio e dinheiro.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.