• Acesse as minhas redes sociais:

Todas as pessoas integram grupos, grandes ou pequenos, de familiares, de comunidades, de bairros, de cidades, de Estados e até de seus países. No entanto, somente algumas têm aquele sentimento profundo de fazer realmente parte, de ser aceito, valorizado, enfim, de se sentir em casa ao lado das outras pessoas que pensam de forma semelhante. Quando o ser humano se sente parte integrante, sua autoestima cresce, e com ela a saúde emocional e a confiança. Esse sentimento de pertencimento é essencial também nas escolas, sejam públicas ou particulares, especialmente para os professores, os maiores responsáveis pela formação educacional das crianças, dos adolescentes e dos jovens. Transformar vidas para melhor demanda tempo, cuidado, determinação, amor e trabalho, muito trabalho, pois o que os mestres passam aos alunos nas salas de aula, normalmente, é levado e marca a existência inteira deles.

Para que o professor sinta de forma marcante esse pertencimento ele precisa estar ligado psicológica e emocionalmente aos alunos, aos colegas de trabalho e à escola onde exerce seu ministério de ensino. Quando se cita uma conexão com os alunos, claro que se fala também com a família deles, que precisa participar de todas as decisões sobre a vida desse grupo de estudantes. Pais, mães e responsáveis têm de estar atentos a tudo, por mais que seja difícil devido à correria do dia a dia no trabalho e nas atividades. Seu filho, ou aquele que está sob sua responsabilidade, merece esse tempo, pois nesses minutos utilizados para eles pode ser definido um futuro promissor ou não. Os alunos são os protagonistas nas escolas, já que tudo é feito com o objetivo de ensiná-los e esse alvo dificilmente será atingido em sua totalidade se o professor não sentir esse sonhado pertencimento, que implica em reconhecimento do seu trabalho dentro e fora das salas de aula.

Essa valorização dos mestres inclui em eles terem não somente destacados os pontos em que precisam melhorar – todos sempre podem crescer – como também ter citados seus pontos positivos. Um simples e merecido elogio é o primeiro passo. Ouvir os professores em assuntos muitas vezes considerados banais pela direção das escolas, torná-lo parte mais integrante ainda da comunidade educacional favorece o pertencimento dos mestres e ajuda na inserção deles. Também faz parte da relação do auxílio ao crescimento do sentimento de fazer parte, a capacitação, com cursos, introdução e aprendizado de novas metodologias que facilitem e aperfeiçoem suas ministrações às classes. Uma escola tem de ser acolhedora com os alunos, com seus pais e responsáveis e, também e fundamentalmente, com os professores. Comunicação aberta e o bom ambiente geram bem estar, melhor qualidade de trabalho no dia a dia, engajamento com redução do estresse e, acima de tudo, fortalecem e auxiliam a recuperar o respeito à identidade profissional dos professores, algo que tem sido despedaçado de uns tempos para cá.

Alunos e mestres são matérias-primas da educação e para que as duas se fundam e resultem em um bom produto – um cidadão de bem capacitado adequadamente e preparado para iniciar a vida profissional – com pais e responsáveis contentes ao ver as crianças, os adolescentes e os jovens encaminhados para os primeiros e essenciais passos no mercado de trabalho, é preciso que esse sentimento de pertencimento floresça mais e mais na vida de ambos, em especial dos professores, os maiores formadores das gerações futuras.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.