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Antes de falar sobre indisciplina quero apresentar como o dicionário define a antagônica palavra disciplina: um conjunto de regras éticas para se atingir um objetivo e que vem acompanhada de uma série de sanções quando as regras são quebradas ou desrespeitadas. Esse conjunto de regras pode ser adquirido pela própria experiência, aprendido por intermédio de alguém que funcione como professor ou absorvido pela imitação de um mestre. Disciplina também é obediência a regulamentos, a ordens, conduta que assegure o bem-estar dos indivíduos ou o bom funcionamento de uma organização ou de uma escola, justamente o motivo principal deste texto.

Nas escolas do Brasil cabe ao professor manter a ordem na sala de aula, mas isso se tem tornado cada vez mais complicado pelo descaso das autoridades que gerem a Educação e que, em geral, não apoiam os mestres em suas reivindicações e levam crianças, adolescentes e jovens a desacreditarem na força e na autoridade deles. Disciplina não significa poder e sim pode ser considerado um instrumento para ajudar o aluno a alcançar o sucesso. Outro ponto fundamental é a questão familiar, que em muitos casos apresenta proteção exacerbada desses alunos, muitos deles sem limites nos lares e que passam a acreditar – de forma errada – ser essa a maneira de agir fora de suas casas, seja na escola ou, num futuro próximo, na vida corporativa. Eles vivem no dia a dia essa total falta de controle, indisciplina, além de negligência dos pais e responsáveis e isso acaba por afetá-los profundamente.

Essa indisciplina familiar refletida nas salas de aula não é privilégio do Brasil. De acordo com a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (sigla em inglês é Talis), os professores brasileiros dedicam, em média, 20% do tempo de aula para administrar problemas de comportamento, enquanto internacionalmente esse tempo cai para 13%. A ex-ministra e candidata à Presidência da França em 2007, Ségolène Royal, afirmou a necessidade de separar essas funções, atribuindo-as a pessoas diferentes. Para ela, o restabelecimento da ordem na escola e nas salas de aula passa pela presença de um segundo adulto nas classes que apresentam problemas disciplinares.

Outros graves itens que elevam o grau de indisciplina são alguns ídolos – esportes, música e outras áreas – desse grupo de alunos, algo muitas vezes relegado a plano secundário pelos responsáveis. Mas, dependendo de quem eles procuram imitar, e da influência negativa de alguns amigos, eles se tornarão adultos sem disciplina e problemáticos. É essencial não ser indisciplinado também para estudar, pois é preciso ter boas notas para passar de ano. É necessário também se ter disciplina comportamental, com respeito às autoridades, a começar pelos pais em casa, pelo professor na sala de aula entre outros. Fica a pergunta: como ser disciplinado se na sua casa o que prevalece é a indisciplina? Esse é um problema global e os alunos precisam ver e sentir que os mestres têm apoio das escolas. Eles têm de ver claramente a união e a coerência entre os educadores dos vários níveis. Aí, eles que não são bobos nem nada, sentirão essa força e não se arriscarão a sofrer punições.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.