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Antigamente era uma brincadeira entre colegas que para divertir a si mesmo e aos outros integrantes do grupo, as diferenças alheias eram apontadas de forma provocativa e jocosa. Essas, digamos assim, brincadeiras, já expressavam ideias de intimidação repetida, gozação, emprego de apelidos e chegavam até mesmo à violência física. Hoje isso ganhou um nome e o bullying passou a ser conhecido no mundo inteiro. Essa palavra inglesa não tem uma tradução adequada para o português e acaba sendo usada na língua original e temos lido na imprensa local, nacional e internacional vários recentes casos sérios. Brincadeira é quando as duas partes se divertem. Caso uma se sinta constrangida, não dá para entender que não seja maldade e aí passa a ser bullying.

Principalmente nas escolas, onde existe agrupamento de crianças, adolescentes e jovens se pode observar vários casos desse desvio de comportamento que induz a outras formas de violência, pois gera cidadãos estressados, depressivos, com pouca ou nenhuma capacidade de autoaceitação e com reduzida autoestima. É necessário bloquear esse processo, que se dá na crescente ambição do autor do bullying de assegurar dominação, numa violência simbólica, por meio de ações físicas, verbais, muitas vezes agressivas e permanentes contra seus alvos. Para que isso não se repita e vejamos mais notícias trágicas sobre pessoas que sofreram ou ainda sofrem com o bullying, é necessário combater de forma dura e rigorosa esse fenômeno. Como fazer isso, especialmente nas escolas, se na maior parte das vezes os responsáveis estão distantes e em casa às vezes não observam os sintomas nos filhos, sobrinhos e netos?

O primeiro passo é notar nas crianças, adolescentes e jovens atitudes diferentes e silenciosas, como demonstrar grande timidez, não querer mais ir à escola, perder o interesse em coisas que gostava de fazer, isolamento, como ficar separada no intervalo escolar, e em casa também fica num canto e evita falar sobre o assunto. Quem sofre esse processo também passa a apresentar problema para trabalhar em grupo, a mostrar dificuldade de atenção e a perder o foco do que fazia com certa normalidade. Nas fases mais agudas e graves, os atingidos têm dor de cabeça, suam bastante e têm dor de estômago entre outros problemas físicos. Qual seria a solução para resolver esse complicado assunto?

Professores, diretores, responsáveis pelas escolas, enfim educadores, precisam criar uma campanha de encorajamento, primeiro entre as principais vítimas do bullying, que têm de se abrir e falar sobre o assunto e dizer quem o atinge. Os colegas também precisam criar coragem para proteger o companheiro e revelar quem o pressiona. Isso não é ser dedo-duro, X9 ou qualquer outro nome que se dá a quem, nesse caso, auxilia o companheiro. É proteção! E a escola precisa entrar nesse esquema e ajudar a cuidar de quem sofre e também de quem, corajosamente, ajuda a revelar o agressor. Esse é o caminho: encorajar os mais fracos dando a eles confiança de que tem gente interessada em protegê-los. Não ao bullying!

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.