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Em um mundo cada vez mais tecnológico e individualista, o que o homem tem buscado cada vez mais é humanizar os relacionamentos de todos os tipos. O que significa exatamente o termo humanizar? Em poucas palavras, quer dizer tornar algo ou alguém mais humano, mais próximo das características e dos valores que definem a humanidade. Humanizar tem a ver com a busca e o resgate da empatia, da compaixão e da solidariedade nas relações do dia a dia. Também tem o sentido de reconhecer a importância do outro, do próximo, e agir de forma ética, responsável e respeitosa. E essa atitude cabe em praticamente todas as áreas de atividade e faz nascer, arquiteta, a construção da esperança.

Na área da saúde, humanizar significa tratar o paciente de forma integral, pois quem está ali sendo atendido na consulta é uma pessoa com necessidades, normalmente imediatas, emoções, dores e medos. Médicos, enfermeiras, atendentes em geral, precisam oferecer acolhimento, tratar o ser humano com dignidade e ter sua dor, seja física ou de outro tipo, amenizada. Esse exemplo da área da saúde é só um deles, pois os advogados, os membros do Judiciário, das polícias, enfim, de todos os segmentos, precisam, dentro de suas naturais limitações, apresentar mais amor, mais compaixão, mais respeito pela pessoa que ali está carente de uma atenção, um atendimento humanizado.

A humanização também tem de ser inserida na educação, onde professores, diretores, coordenadores, merendeiras, inspetores, enfim todos ligados à área, precisam demonstrar mais cuidado (humanização) com os alunos através de simples ações e atitudes no dia a dia. Mas, para construir algo num espaço ordenado, ou seja, arquitetar, e sair do discurso para a prática, é preciso ou se colocar no lugar do aluno ou ter passado por algo semelhante, ao que aquele estudante vive. O verdadeiro mestre, seja nas escolas particulares ou no ensino público, enfrenta uma sala repleta de alunos, mas com um olhar individualizado de cada um deles buscando suprir as deficiências e alcançar o progresso pessoal daqueles a quem se comprometeu a ensinar, não somente a matéria específica, mas como aplicar, no presente e no futuro, esse ensino na vida profissional e pessoal. Isso é humanização na educação.

Pode parecer balela, mas todos os profissionais, especialmente os da área da educação, não devem usar o real e verdadeiro argumento de que os salários são baixos e as classes têm muitos alunos, algo que sem sombra de dúvida, compromete a perfeita individualização. Nessas horas tem de prevalecer o verdadeiro sentido de ser professor, que, apesar de todos os problemas, não pode deixar a humanização de lado quando entra na sala de aula. Problemas todos têm, mas, por mais difícil que seja, não se deve levá-los para o trabalho e fazer os outros pagarem por isso. Os alunos não podem ficar na dependência de os mestres terem ou não problemas pessoais. Indiscutivelmente, o salário é essencial para se viver, mas o ideal de ensinar tem de estar acima de todas essas dificuldades.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.