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Até alguns anos atrás raramente se ouvia falar de agressões a professores e funcionários de escolas. Quando acontecia algo nessa linha, logo virava notícia e deixava a população espantada com a ousadia contra os mestres, que mereciam respeito. Com o tempo e a impunidade, especialmente no Brasil, esses fatos se tornaram mais constantes, mas jamais se poderia aceitar como algo trivial. De uns anos para cá professores, diretores, funcionários de instituições de ensino, especialmente as públicas, se tornaram alvo de jovens que descontam suas frustrações de maneira violenta sobre eles, xingando, agredindo e até matando pessoas que estão ali simplesmente para ensinar. Nesta segunda-feira (27 de março) tivemos mais um lamentável fato quando um adolescente de 13 anos assassinou uma professora de 71 anos, feriu outras, além de alunos.

Esses tristes fatos levam ao poema do brasileiro Eduardo Alves da Costa,  No caminho com Maiakóvski, que diz:

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Triste fato na capital paulista que algumas pessoas colocaram na conta da volta às aulas após a Covid-19. A terrível pandemia pela qual o mundo passou não pode ser usada como bode expiatório e ganhar toda a culpa por fatos criminosos como este mais recente. É preciso evitar que o ódio se propague mais ainda no coração das crianças, dos adolescentes e dos jovens. E para isso é necessário que os pais e responsáveis estejam atentos ao que eles fazem, especialmente ao uso da internet, que tem sido a porta principal da entrada do mal nas famílias. A cada dia fica mais claro que pais, mães, tios, avós, enfim, responsáveis, têm de se esforçar mais ainda e voltar a cuidar com carinho redobrado das novas gerações, pois o reflexo não se dá somente dentro de casa e sim se expande para várias outras famílias, como mostram vários casos de assassinatos em escolas, aqui no Brasil e no mundo.

Os mais velhos precisam observar os, às vezes claros, contextos de ódio em que filhos, netos e sobrinhos estão inseridos. Muitas pessoas não se aceitam mais e repudiam os outros, especialmente nas redes sociais. A internet nasceu livre, mas escraviza a juventude que na maior parte das vezes, de forma indevida, a usa como fonte de informação e de expressão, em boa parte do tempo, sem controle e sem limites. Quem tem de regular esses acessos, o uso e a extensão dos pensamentos não é a escola e sim a família. Como? Observando. Quem tem um filho superativo e nota que anda quieto demais, logo vai investigar se está com febre ou mal-estar, e busca ajuda. Nos dois casos existem consequências. Na saúde uma simples tosse pode até se tornar uma pneumonia. Na internet algumas palavras podem evidenciar um distúrbio comportamental sério e violento.

Já passou do tempo de se fazer uma campanha geral – e não só nas escolas -, pois ninguém, em sã consciência, pode entender como normal um pai entrar em campo com a filha no colo para agredir os adversários, como na partida entre Internacional e Caxias, no Rio Grande do Sul. Guardadas as devidas proporções, é semelhante a esfaquear professores como na Zona Oeste da capital paulista. Culpa do isolamento provocado pela Covid-19? Não! Absolutamente não! Pois grande parte das pessoas ficou isolada e não saiu por aí assassinando outros seres humanos! É preciso trabalhar para evitar que o ódio se propague no coração dos jovens e, também, de muitos adultos.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida). Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.