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Para o escritor francês Vincent Dupriez a noção geral de meritocracia refere-se ao princípio que estabelece que uma sociedade justa é aquela que dá a todos o lugar que merecem, de acordo com seus esforços e talentos, em vez de um lugar arbitrariamente herdado. Numa definição mais popular, meritocracia é a pessoa certa e capacitada no lugar certo, não por ter sido indicada por outros motivos, mas pelos conhecimentos do assunto a ser tratado ou administrado. No Brasil temos muitos casos de a indicação de uma pessoa influente passar por cima da competência, dos anos de estudo e da capacidade intelectual de outros. Vemos isso em ministros das mais altas cortes de Justiça, passando por elevados cargos na República, atingindo secretariado dos Estados nacionais e chegando às cidades onde vivemos. Claro que não se pode generalizar, mas eu, professor Chiarella, já vi esse fato muitas vezes e, com certeza, vocês que acompanham este Blog do Chiarella também já viram e se entristeceram. Pior ainda: ou foram vítimas dessa lamentável situação.

No entanto, entendo que meritocracia e indicação podem, sim, andar de forma paralela e de mãos dadas sem nenhuma incoerência. É simples, basta a indicação ter como base o mérito da pessoa para aquele cargo ou função. Mas temos acompanhado pela imprensa pessoas que nada têm a ver com determinado cargo investidos de poderes que ele próprio nem tem ideia. Neste momento de pandemia encontramos gente de fora da área médica em posição de liderança somente por uma indicação vinda de cima, do detentor do poder político. Temos todos os ministros de Estado indicados politicamente ou por corporativismo e os problemas de gestão pipocam diariamente.

Nas escolas ensinamos aos alunos, desde os primeiros anos nas carteiras escolares, que o caminho para subirem na vida é o do conhecimento, do esforço, da aquisição de conteúdo teórico e prático. Ensinamos, especialmente em Santos, minha cidade, que todas as conquistas devem vir do esforço próprio, sem a indicação desassociada do mérito, aquela que muita gente recebe por ser amiga ou parente desta ou daquela pessoa detentora de poder. Em geral essas indicações só geram efeitos pessoais e não reais. Quem ganha são pouquíssimas pessoas quando aquele cargo público deveria ser para ajudar toda a sociedade.

Temos de mostrar, com a Educação, que a meritocracia deve estar acima de todos os outros pontos. Precisamos de gente capaz e capacitada para gerir os destinos da nossa cidade de Santos, do Estado de São Paulo e do Brasil. Essa complexa questão envolve também uma palavra pouco usada em países onde as indicações superam a meritocracia. É a ética, que deveria vir sempre em primeiro lugar, deveria ser a base das decisões dos governantes. Quero deixar bem claro que as pessoas que foram vítimas dessa atitude insensata e perversa, ainda assim precisam continuar na busca de seus objetivos e não podem se desestimular. Devem manter o foco nos estudos, na busca pelo conhecimento cada vez mais profundo, enfim, tudo o que foi e tem sido ensinado nas escolas, sejam públicas ou particulares.

Vivemos num país onde o mérito supera a indicação? Cada um terá um tipo de resposta, seja nas empresas públicas, nos governos federal, estadual e municipal. Em boa parte das companhias privadas essa desigualdade tende a diminuir, pois as pessoas pensam mais nos objetivos finais do que em fazer política de baixo nível e com isso a meritocracia ganha destaque e os capacitados ficam mais próximos dos lugares certos. Como professor, quero contribuir para formar seres humanos, cidadãos, que busquem seus lugares na sociedade através do mérito próprio. Não esperem ser indicados! Façam-se merecedores. Tenham conhecimento suficiente para quando forem avaliados seus estudos e esforços possam prevalecer no lugar do QI, o triste e tradicional Quem Indicou.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.