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Paz é algo que toda a humanidade procura desde que o homem passou a habitar a Terra. Povos dos mais variados tempos e de diversos países correram e continuam a correr atrás do verdadeiro sentido dessa palavra que, de acordo com o dicionário, significa estado de calma, de tranquilidade, ausência de perturbações e de agitação. Num sentido mais utilizado, a palavra de origem latina pax significa ausência de violência ou guerra. Falando assim, creio que todos concordarão que a busca pela paz há milênios faz parte da existência do ser humano. Ou alguém já se esqueceu da história da guerra entre irmãos e que culminou com assassinato de Abel por Caim? Seria fantasioso da minha parte acreditar que um dia os homens hastearão de uma vez por todas a bandeira branca?

Vivemos tempos em que boa parte da sociedade se contamina por posições em que só existem dois lados, o que eles consideram certo e o outro, o errado. Simples assim, sem conversas e sem importantes e essenciais discussões produtivas. Isso em nada ajuda a levar à paz. Segundo a Bíblia, o princípio da sabedoria é o temor (respeito) ao Senhor, mas em termos humanos significa mudança de opinião, não pelo grito, não pela imposição e sim pelo convencimento intelectual e pelo entendimento de que todos os lados – todos mesmo – têm seus pontos positivos e negativos. Precisamos trabalhar a cabeça das nossas crianças e dos nossos jovens com princípios básicos de ouvir, aceitar, discordar, conviver com os diferentes para estarem abertos à inclusão social, formação de competências entre outras qualidades, faz parte do ministério dos educadores e eu, professor Chiarella, me dirijo mais diretamente aos profissionais da Educação da cidade de Santos, onde moro.

Na base educacional nós, professores, não somente informamos. Nós formamos as pessoas para a vida, desenvolvemos competências sócioemocionais, autocontrole, empatia, além de outras habilidades fundamentais para o dia a dia de todos os seres humanos que vivem em sociedade. Para promover as mudanças necessárias ao nosso País, que no último dia 7 de setembro festejou mais um aniversário da Independência do Brasil, precisamos desenvolver capacidades humanas nos mais experientes, naqueles que detêm o poder de decisão. Isso acontece através do processo de desaprender para aprender, pois é aí que eu aproximo as gerações. Dentro da Cultura da Paz está inserida, por exemplo, a sensibilidade para interpretar o nível do problema de um aluno do sexto ano do Ensino Fundamental II. Quando um adulto sente e assimila a importância da situação para a criança, sem menosprezar a intensidade da dificuldade, a aproximação fica clara, pois tem início a humanização, algo que essa pandemia fez aflorar em boa parte dos seres humanos.

O caminho é tornar mais humana essa relação criança/jovem com os adultos, tornar esse momento mais humano e direcionado para as pessoas. Para atendermos os alunos do Fundamental I e do Fundamental II é preciso, claro, boas estruturas físicas, mas jamais podem sobrepujar a parte emocional, que é a mais vulnerável como está visível nas pesquisas realizadas durante a guerra contra o coronavírus. Quando falo da Cultura da Paz me refiro ao combate à guerra política, social e educacional na formação da sociedade. A Cultura da Paz só existirá de fato se vencermos essas etapas na formação da estrutura educacional real para a formação dos jovens na justiça restaurativa, na mediação e na conciliação e esse processo só acontece se ouvirmos os próprios estudantes, os maiores interessados. Fazendo isso acredito na transformação integral, com resgate do respeito aos professores, alguns vítimas de ofensas e agressões, fatos que não podem se repetir na retomada das aulas pós Covid-19, seja lá quando isso irá acontecer.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.