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Toda a nossa vida consiste num longo, e muitas vezes complicado, processo de escolha. Optamos por qual curso fazer, esta ou aquela profissão, a empresa em que trabalhamos, a função que exercemos, escolhemos esposas, maridos, decidimos como e onde educar nossos filhos e por aí vai. Em resumo, nossa existência inteira é recheada de opções. Umas boas, outras nem tanto, algumas péssimas. Essas são as nossas escolhas e todos passamos por isso. Faz parte da existência. Neste Blog do Chiarella vou deixar para professores, diretores, coordenadores, enfim todos os que trabalham diretamente na Educação, decidirem, junto com os pais e responsáveis, se as aulas presenciais devem mesmo voltar ainda neste ano.

O que eu, professor Chiarella, posso dizer é que teremos mais uma escolha importantíssima não só nas nossas vidas como também na dos filhos, netos, sobrinhos, de todos sobre quem temos responsabilidade. Recomendo o equilíbrio e reitero que os governantes até podem determinar uma data, mas quem vai definir se enviam ou não seus filhos são os pais e os responsáveis. É deles a decisão. Eles é que detêm a liberdade, aliada ao bom senso, de acatar ou não a escolha governamental, pois uma data imposta não me parece algo que chegará a bom termo. Temos pais em duas situações conflitantes. Aqueles que trabalham e precisam ter os filhos na escola não serão atendidos caso as aulas não voltem. E temos os que possuem atividades com mais mobilidade, têm feito e continuarão a fazer home office, e não querem colocar os filhos em risco mesmo com todos os protocolos de segurança ativados nas unidades de ensino.

E aí vem uma pergunta fundamental: a rede pública está pronta e capacitada a receber os alunos? Essa é não só a minha, mas a grande dúvida da maioria dos pais. Existe verba para cumprir os protocolos como máscaras, álcool em gel, mantas desinfectantes, pessoal em quantidade suficiente, paramentado, treinado e capacitado para desinfetar as salas de aula antes da entrada da turma seguinte? E a que considero a mais complicada de todas: quem será capaz de manter as crianças e os jovens no padronizado distanciamento social de 1,5 metro? Quem segurará, no bom sentido, claro, várias crianças que não se veem há meses e querem correr, brincar, reencontrar os amiguinhos e interagir com eles? Não acredito que exista um ser humano capaz de evitar esse natural interesse pessoal entre as crianças que compõem o Fundamental I e até mesmo os jovens do Fundamental II, as responsabilidades da Prefeitura de Santos, cidade da qual falo mais particularmente.

Ninguém nega que neste ano de 2020 praticamente todos os setores tiveram interrupções. Economia, Saúde, relações pessoais, relações humanas, relações trabalhistas, todos, ou quase todos, sofreram mudanças. A Educação não poderia ficar de fora do alcance da Covid-19 e todos teremos de nos readaptar. Precisamos buscar a recuperação da saúde emocional, algo que está intimamente ligado ao acolhimento. Acolher é ter paciência, acertar as diferenças, esperar a readaptação e agir com amor. Todos os processos foram prejudicados neste ano e, no caso específico da Educação, reitero que será necessário detectarmos todos os problemas em consequência do novo coronavírus e nos adaptarmos ao que se convencionou chamar de novo normal. Não considero nem novo nem normal, pois nossa vida é cíclica e nada é realmente novo. Temos, sim, um novo momento.

O retorno às aulas presenciais, até agora marcado para o dia 8 de outubro, deve ser bem avaliado. As escolas particulares têm ouvido pais e responsáveis e também estão no aguardo de uma definição do Governo estadual. Precisamos dar aulas de reforço e atividades recreativas, que podem ser lidas como parte do acolhimento a todos os membros das escolas. Essas aulas não substituiriam a carga normal, pois, de maneira opcional, os alunos iriam no denominado contraperíodo: os que frequentam as aulas on line de manhã iriam à tarde na escola enquanto que aconteceria o inverso com os estudantes do período vespertino. As escolas particulares estão ouvindo os pais para receber, ou não, o aval para esse sistema. Enquanto não se chega a uma conclusão, minha sugestão é a de mantermos o que temos agora e implantando um projeto de diagnóstico de aprendizado para saber o nível de assimilação dos alunos nessa situação da pandemia. E nos preparar para 2021. É o que nos resta!

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.