O título do Blog do Chiarella desta semana remete ao filme da década de 1960, Ao mestre, com carinho, estrelado pelo renomado ator Sidney Poitier. Se ainda não viram, os mais jovens devem procurar na internet para acompanhar uma das mais conhecidas películas da denominada Sétima Arte. A história é de um engenheiro negro que se vê desempregado e passa a dar aulas para alunos, em sua maioria brancos, de um bairro operário de Londres, na Inglaterra. Depois de superar grandes dificuldades de disciplina e enfrentar de peito aberto o desafio de ensinar, ele recebe uma proposta para voltar a atuar como engenheiro e a decisão complica sua vida. É o mesmo dilema que marca a carreira e o ministério dos professores. Ensinar é algo que nos leva a superar as maiores dificuldades e, mesmo nos momentos mais duros, ainda mantém no nosso coração pulsando de amor pelas crianças e pelos jovens a quem transmitimos conhecimento.
Eu, professor Chiarella, quero voltar a enaltecer os mestres, especialmente aqueles da cidade de Santos, onde moro. Todos eles, e outros funcionários ligados à Educação santista, têm feito exatamente o que o filme de quase seis décadas atrás, procurou mostrar: amor pela arte de ensinar, pelo aluno. O professor é a tábua de salvação da humanidade, pois sem ele nem mesmo as mais ilustres mentes do nosso século teriam como ser iniciadas nas mais simples letras. É deles a responsabilidade de mostrar o que o homem fez no passado e projetar o futuro na cabeça das nossas crianças e dos nossos jovens. Por esse amor e dedicação dos nossos professores, tanto os da rede pública quanto os da rede particular, é que defendo a criação de um projeto para recuperar eventuais perdas ocorridas nesta pandemia da Covid-19, tanto as programáticas quanto as emocionais de professores e de alunos.
Claro que os alunos sofrem com a má qualidade da internet, o que acarreta seguidas interrupções na aula ministrada on line, e o professor deixou de gerenciar diretamente os conflitos de convivência, que tanto ensinam, em termos sociais, aos alunos. Isso também faz parte da educação das crianças e dos jovens. Entre essas habilidades socioemocionais está e empatia, que integra o relacionamento do dia a dia dos seres humanos. O professor padece por não ter os alunos de forma presencial, ali, na sala de aula, que é seu local de trabalho e de ensino. Falar para uma tela de computador, muitas vezes vazia, sem a imagem de vários alunos, é muito difícil. Para um ensino completo é necessária a convivência, olhar nos olhos dos alunos, sentir suas reações, sejam boas ou más, enfim, estar fisicamente próximo deles para apresentar uma resposta imediata. Uma tela escura, com o nome do aluno não é suficiente para fechar esse importante ciclo de relacionamento.
Entendo que este é o momento de os alunos retribuírem o carinho dos professores e participar da aula virtual de forma plena, ou seja, com a tela aberta, para mostrar que eles estão ali, prestando atenção nas aulas e aprendendo. Os mestres precisam sentir a participação integral deles, a presença virtual, quase física, mesmo ali na sala de aula on line. Sem a tela aberta, como acontece com boa parte dos estudantes, falta algo para o professor e também para os alunos. As crianças e os jovens também gostam de demonstrar carinho pelos seus mestres, por aqueles com quem convivem boa parte do seu dia, do seu ano e de suas vidas estudantis. Precisamos nos acostumar com o novo, mas sem desumanizar a situação que já é bem complicada para todos. Vivemos um momento de metodologia ativa, mas não podemos perder a participação do aluno, elo essencial nessa corrente do ensino.
José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.