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Algumas das nossas crianças e dos nossos jovens do Fundamental I e Fundamental II, que estão sob a responsabilidade da Prefeitura de Santos deixaram de receber as merendas que deveriam ter sido fornecidas pelas escolas municipais neste mais de 100 dias longe das escolas e das aulas. Com isso, muitas famílias, que dependem da merenda para manter as contas da casa em ordem, sofreram mais ainda do que o normal. A pandemia gerada pelo Covid-19 levou muita gente a não ter trabalho e, consequentemente, não ter salário e nem renda. Muitas pequenas e médias empresas, dos mais variados setores, faliram devido ao fechamento obrigatório da quarentena e pais e mães de família se viram em situação bastante complicada.

Eu, professor Chiarella, defendo a boa Educação especialmente na cidade de Santos, onde moro e local que gostaria de ver bem preparados e bem alimentados – em qualquer situação – os alunos que deveriam ser cuidados pela Prefeitura municipal. Ninguém pode reclamar da falta de dinheiro, pois a verba já estava reservada para a alimentação das crianças e dos jovens. Fica a pergunta: por que eles não receberam a necessária merenda se as merendeiras estavam ali e os alimentos também e bastava colocar para funcionar? Continuo: onde foi parar esse dinheiro todo, já que as crianças e os jovens ficaram sem receber alimentos e a verba já estava separada no orçamento municipal? Com a palavra o prefeito Paulo Barbosa que é o responsável direto. O descaso com que a Educação santista tem sido tratada nos últimos anos é lamentável! Desafio alguém a me mostrar uma boa notícia a respeito desse segmento fundamental para o presente e para o futuro da nossa cidade, do nosso Estado e do Brasil.

Tenho escrito neste Blog do Chiarella a respeito de outras formas de descaso que a Prefeitura de Santos demonstra para com os alunos da rede municipal de ensino. Sou a voz que reclama a falta de atendimento psicológico para as crianças e jovens, para os professores, diretores e coordenadores, que pela primeira vez na vida ficaram distante das escolas por mais de 100 dias. Eles também são vítimas e não têm culpa alguma desse momento por que passamos. Todos precisam de ajuda para um retorno gradual, seguro e que dê bom retorno em termos psicológicos, pedagógicos e de aprendizado. Se não cuidarmos dos jovens eles se sentirão desassistidos pelo ente público, ou seja, a Prefeitura de Santos. Reafirmo que para mim quem deveria voltar primeiro às aulas seriam os alunos do terceiro ano do Ensino Médio, pois no final deste 2020 tentarão uma vaga numa universidade e precisam estudar mais. Esse grupo também tem mais discernimento da necessidade e obrigatoriedade do distanciamento social. Já as crianças e os mais jovens tenho minhas dúvidas se conseguirão conter o ímpeto natural ao rever os amiguinhos depois de tanto tempo e provocarem ajuntamento.

Enquanto os frequentadores da escola pública municipal enfrentaram e ainda continuam a passar por dificuldades, a particular caminha bem e firme, pois forneceu aos alunos – boa parte vindo das classes mais altas da sociedade – boas e bem preparadas aulas on line com a mais moderna e atualizada tecnologia. Professores bem preparados tecnologicamente e famílias com mais de um computador ou celular em casa para acompanhar as aulas, além, claro, de rede de internet com boa velocidade, o que evita interrupções e perda de sinal e de concentração dos alunos. Por depender somente dele mesmo e da equipe, a escola particular oferece mais do que foi contratada para entregar. Enquanto tudo caminha bem por esse lado, a municipalidade depende do ente governamental (Prefeitura de Santos), que não fala e nem demonstra qualquer interesse pelos alunos. Muito triste!

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.