• Acesse as minhas redes sociais:

Está complicado manter o foco deste Blog do Chiarella num momento difícil como o que atravessamos há alguns meses. Falar sobre a Educação na cidade de Santos, onde moro, se torna especialmente complicado, pois a Prefeitura continua a relegar nossas crianças e jovens a uma situação complicadíssima. Eu, professor Chiarella, tenho citado nos meus textos anteriores todos os problemas enfrentados pelos alunos do Fundamental I e do Fundamental II, as maiores responsabilidades educacionais do município, e relembro a falta de acesso à internet nestes tempos de Covid-19, em que eles foram obrigados a se ausentar das escolas e estudar em casa através de uma internet fraca, repleta de paralisações e que deveria ter sido colocada à disposição de todos de forma gratuita, ou ainda um acordo com uma rede de tevê regional para todos poderem acompanhar mais facilmente os ensinamentos. Nada disso foi feito e agora nos deparamos com o iminente retorno às aulas.

Quando será? Exatamente ninguém sabe ainda, mas a ideia inicial do Governo do Estado, comandado por João Dória, é que a retomada gradual aconteça a partir do início de agosto. Como foram feitas essas contas para a volta às aulas presenciais? São números complexos e, na minha opinião, quem deveria retornar em primeiro lugar seriam os alunos do terceiro ano do Ensino Médio, pois são eles que têm mais urgência, pois se preparam para tentar o ingresso numa universidade e, com essa paralisação, precisam de tempo para corrigir eventuais deficiências no conteúdo pedagógico. Digo eventuais pois o aprendizado variou muito nesses tempos, já que enquanto alguns alunos se adaptaram bem às aulas on line, outros sofrem a ausência do professor nas aulas presenciais, a falta de explicações esclarecidas com perguntas imediatas e a positiva discussão com os outros alunos.

A retomada das aulas também careceria de uma avaliação de todos os envolvidos para saber como eles se sentem depois desse tempo enorme distante das salas. Alunos reaprendendo a aprender e professores reaprendendo a ensinar. Vamos combinar que é uma situação totalmente diferente que enfrentamos na história da Educação. Para piorar o momento atual, ainda temos a preocupação dos pais e responsáveis quanto à contaminação dos seus filhos pelo coronavírus. Algumas famílias mantiveram o isolamento social enquanto outras não. Algumas por total impossibilidade de segurar dentro de suas casas uma quantidade muito grande de pessoas e a falta de condições financeiras para sobreviver, e outras por não levarem tão a sério um assunto mais do que sério e que envolve a vida humana.

Esse retorno às aulas tem de ser feito de forma setorizada e seguindo as recomendações da área da Saúde e que todos já devemos saber. Ou seja: lavar bem as mãos com água e sabão, usar álcool 70%, usar máscaras e uma série de outros cuidados amplamente divulgados. Precisaríamos também ter em todas as escolas medidores de temperatura para aumentar a segurança. O distanciamento obrigatório pode até acontecer entre os alunos maiores que entendem melhor o que enfrentamos. No entanto e os pequenos? Será que não se aglomerarão? Seguirão as orientações de saúde nas aulas e especialmente no intervalo? Essas questões permanecem indefinidas. Com minha experiência de muitos anos dando aula, afirmo que o principal a ser feito por professores, diretores, coordenadores, todos os ligados à Educação, é o acolhimento dessas crianças e dos jovens.

Depois de tanto tempo sem ir à escola e se relacionando com o computador ou o celular para receber ensinamento, eles carecem de fortalecimento emocional. A saúde psicológica deles precisa ser bem tratada para que possamos formar cidadãos com equilíbrio sócio-emocional para enfrentar o dia a dia. Temos de prepará-los adequadamente para, dentro de alguns anos, comandar nossa cidade, São Paulo e o Brasil. Quem sair na frente com essa preocupação vai conseguir fortalecer emocionalmente as crianças e os jovens e retomar 100% a eventual deficiência sofrida durante esse tempo distante das salas de aula.

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.