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Existe uma diferença muito grande entre a atenção que os alunos da rede particular de ensino têm recebido e os das escolas públicas. Neste Blog do Chiarella, em que falo muito particularmente sobre a Educação em Santos, minha cidade, quero destacar a falta de atitude do prefeito Paulo Barbosa diante dos alunos do Fundamental I e Fundamental II, que são suas maiores responsabilidades. Nossos alunos não têm recebido, durante a grave e prolongada crise do Covid-19, a devida atenção do município que, teoricamente, ofereceu aulas on line, mas não liberou internet grátis para que pudessem acompanhar os ensinamentos, pois nem todas as famílias têm condição financeira para pagar a quantidade de dados necessária para as atividades escolares. A atitude feriu os alunos e, junto com eles, os professores, que também não foram devidamente preparados para dar esse tipo de aula, mas se viram obrigados a correr atrás e aprender.

Eu, professor Chiarella, há alguns meses (bem antes da pandemia) tenho cobrado neste meu espaço a atualização dos professores, de supervisores, de diretores, enfim, de todos ligados à Educação santista. Faltam cursos de capacitação não somente para enfrentar este caótico momento, algo que ninguém esperava, mas para o dia a dia nas escolas. Professores precisam falar a mesma língua tecnológica dos alunos, todos das mais novas e informatizadas gerações e donos de linguagem diferenciada que precisa ser acompanhada. Enquanto isso, nas escolas particulares os mestres são devidamente preparados para conversar com seus alunos, seja presencialmente ou através das várias e modernas plataformas de comunicação existentes e que se renovam e são criadas todos os dias.

Vimos recentemente o prefeito de Santos fazer simplesmente a função dele, defender os interesses dos santistas, ao retirar, com a autorização do seu líder, o governador João Dória, a classificação de Santos como vermelha, o que provocaria mais atrasos ainda na retomada da normalidade da cidade. Apesar das dificuldades, Santos passou a ser da classificação laranja. Menos mal. No entanto, em todos esses meses de enfrentamento do coronavírus, em nenhum momento se leu, se viu ou ouviu algo do prefeito sobre a volta às aulas. Ele só pensa em política e a Educação parece não existir. Também de nada adiantaria, pois só falar não resolve. É preciso agir e avaliar como está a saúde mental dos alunos, dos professores, dos supervisores e dos diretores no retorno às aulas. Nada, simplesmente nada, foi feito pela cidade de Santos pelo processo educacional. Infelizmente todos sofrerão muito com esse necessário e gradativo retorno às atividades.

Enquanto as escolas públicas de Santos enfrentam mais esse dilema de não ter preparado adequadamente seus alunos para receberem aulas on line, a escola particular manteve os estudantes aprendendo com aulas remotas, com professores capacitados e preparados para conversar com as crianças e os jovens via internet. Claro que falamos de mundos diferentes, mas um está preparado para o futuro enquanto os professores da rede pública pouco podem fazer sem a devida capacitação. Sinceramente que gostaria muito de falar o mesmo da escola pública santista, sobre as virtudes administrativas do prefeito de Santos, mas fica difícil. Resta dizer que precisamos mudar quem está no comando. Precisamos mudar essa oligarquia dominante. Com ou sem coronavírus!

José Roberto Chiarella, o professor Chiarella, é educador. Professor de Educação Física formado em 1986 e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida. Advogado com especialização em Direito Digital pelo Mackenzie e mestrado em Relações Internacionais Laborais pela Untref, na Argentina.